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Incertezas que as semifinais do Paulistão deixam

Marcel Capretz, colunista esportivo

Certa vez ouvi que vence no futebol quem erra menos. Poxa, quer dizer então que não é quem acerta mais?! Claro que vai depender do ponto de vista. Mas passei a refletir sobre esse viés e, mesmo contrariando toda a minha formação também em Coaching que visa focar no positivo, passei a enxergar o erro de maneira muito mais didática no futebol. Até por ser um jogo de oposição o erro prevalece mais do que o acerto. Na relação defesa x ataque, por exemplo: são necessárias noventa, cem ações ofensivas para saírem dois, um, as vezes nenhum gol. Não só isso. Em contratações, se erra muito mais do que se acerta mesmo com todo o avanço da análise de desempenho. Em um ambiente caótico e instável, só os números não respondem tudo.

Contextualizo o erro no futebol para entender e explicar porque Corinthians e São Paulo farão a final do Campeonato Paulista. Não necessariamente eles foram melhores do que Santos e Palmeiras. Mas erraram menos.

O Santos fez uma partida espetacular diante do Corinthians no Pacaembu. Agressivo no ataque, com conceitos coletivos claros como amplitude, mobilidade, ultrapassagem, enfim, tudo o que norteia o Jogo de Posição do qual o técnico Jorge Sampaoli é um entusiasta estava alí. Porém uma equipe que finaliza mais de trinta vezes e faz apenas um gol viu o seu adversário errar menos. Que fique bem claro, a retranca corintiana de Fábio Carille não me agradou. Foi feia. Mas inegavelmente eficiente.

Já o São Paulo soube transformar sua fraqueza em sua maior virtude diante do Palmeiras. A fragilidade política, financeira, de títulos recentes, de grandes nomes (Pablo e Hernanes estavam fora) ou seja, todo um cenário de azarão fez com que a equipe crescesse e deixasse exposta a fragilidade do modelo de Felipão quando as individualidades não estão bem. É claro que houve o dedo técnico e tático dos parceiros Cuca e Vágner Mancini, como Hudson na lateral-direita, a opção pela ótima dupla de volantes Luan e Liziero, não jogar com um centroavante no segundo confronto para ter mais velocidade e etc. Porém foi no aspecto mental que o Tricolor errou menos que o Verdão. E olha que curioso, justamente o time que não vencia clássicos, que está há mais tempo na fila, foi o que deu um banho no jogo mental-confiança.

Em uma época de muito estudo e muita evolução no futebol os detalhes não podem passar batidos. Não vai vencer o melhor. Vai vencer quem errar menos.

ARTIGO escrito por Marcel Capretz
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