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Sistema imunológico e uso de drogas

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA

Por ocasião da Copa do Mundo de futebol, eu me correspondi com um antigo conhecido que há muito tempo se encontra na Rússia (durante um bom período, na época da Perestroika, ele me enviava uma revista editada lá, mas toda em português, feita para ser distribuída em países de nossa língua). Hoje ele tem 56 anos, e fuma desde a pré-adolescência; ele me dizia: “Fumo porque gosto”. Por coincidência ou não, a Rússia é o quinto país em número de fumantes no mundo: 40,9% de sua população com mais de 15 anos fumam. Esse índice é quase três vezes mais alto entre os homens (60%) do que entre as mulheres (23%).

Sua única filha, que vive no Rio de Janeiro, depois de ter passado por internação compulsória em clínica feminina de dependentes químicos, por um ano, também diz: “Eu não vou mais usar drogas, mas o álcool eu não paro – porque eu gosto”.

Nosso amigo que está na ex-União Soviética, depois de enfrentar um câncer de pele (em um braço), deixou de fumar. Isso já completou um ano, mas ele se sentia melancólico, desanimado. Foi ao médico, e o diagnóstico: “Síndrome de abstinência prolongada do tabaco”. Normalmente a síndrome da abstinência do cigarro, como de outras substâncias químicas, ocorre nos três primeiros meses após o fumante deixar o uso do tabaco, e apresenta sintomas no início, tais como dor de cabeça, irritabilidade, dificuldade de concentração, ansiedade e até alteração do sono.

O nosso corpo físico é uma máquina maravilhosa, comandada por nós, que somos o espírito. O corpo é matéria e não pensa; quem tem desejos e vontades somos nós, seres espirituais temporariamente estagiando aqui e agora.

Portanto, não nos permitamos assimilar qualquer vício, que pode levar à dependência química, acreditando que estaremos libertos de suas amarras quando quisermos. Vemos que os dependentes negam, mentem e manipulam: dizem que param quando quiserem, que fazem uso porque gostam, e na verdade não conseguem parar, porque estão sob violenta dominação do seu hábito.

Hábitos nocivos podem levar ao alcoolismo e à adicção (ou dependência de drogas), quadros hoje reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde como doenças crônicas, progressivas e que podem ser fatais, se não tratadas.

Temos em nosso organismo, circulando em nossa corrente sanguínea, bactérias e vírus, que não se desenvolvem, porque nosso sistema imunológico está bem, regulado e em pleno funcionamento de defesa – por exemplo, os agentes da tuberculose, entre outros, que afetam muitos usuários de crack e do tabaco porque seu sistema imunológico está fragilizado. Também o câncer, que é uma falha na reprodução das nossas células, e que pode ter diversas causas, tem seu surgimento favorecido quando o organismo da pessoa está debilitado, vulnerável.

Uma pesquisa feita por psicólogos americanos provou que as pessoas que têm uma fé, que praticam o bem (são altruístas) e, é claro, evitam os abusos, têm benefícios: seu sistema imunológico funciona bem; têm autoestima elevada; sentem-se bem consigo mesmas. E, se está tudo bem, estão de bem com a vida e com o mundo em redor.

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ARTIGO escrito por Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA
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