Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

A história do pão

“É compreensível o socorro sistemático à plantinha tenra, como é natural a escora destinada ao vegetal benfeitor sobrecarregado de frutas.” Emmanuel (Pedro Leopoldo, 18 de junho de 1947) (1)

Acordei! Mais um dia com a bênção da vida e do poder de Deus, que apagou a noite – não tive oportunidade de me despedir da lua e da madrugada, Ele havia acendido os faróis da luz e do calor do Sol.

É tanta graça que recebemos que nem precisamos pedir ao Poder Superior que ilumine o nosso dia e abençoe a nossa noite; nesse guarda-chuva do amor vem a alegria, a paz e a esperança; se algo nos incomoda, elevemos o pensamento e nos liguemos ao céu e conversemos com quem nos acompanha até no silêncio do pensamento.

Deus é justo e misericordioso e estende suas bênçãos por toda parte; nós, os homens, somos egoístas e não queremos repartir, e muitas vezes nos apropriamos em demasia quando já temos tanto. Ele nos dá em abundância e apenas pede para repartirmos o pão.

Essa história do pão aconteceu quando duas crianças, meninos, mendigavam um alimento de porta em porta para se manterem por mais um dia, a pedido de sua mãe, que sempre orientava naqueles tempos difíceis: “Sempre agradeçam, meus filhos, e vão na paz de Jesus, que dividiu o pão com seus discípulos”.

Quando os garotos chegaram numa casa, de boa aparência e bateram à porta, foram logo atendidos pelo proprietário que era um professor; não era a época da pandemia do coronavírus, em que muitos trabalham “home office”; era um período de férias escolares.

– Pois não?

E eles disseram:

– Bom dia, o senhor pode nos ajudar?

E o senhor respondeu com outra pergunta:

– O que vocês desejam?

E os meninos disseram a uma só voz:

– Pão duro.

O professor, um tanto incomodado naquela manhã, disse:

– Infelizmente não temos, passe outro dia.

E os garotos então não deixaram de agradecer e desejar um bom dia, seguindo sua caminhada evolutiva, na triste experiência da Terra.

O homem, retornando para dentro da casa, foi até o banheiro, antes de voltar ao convívio da esposa que preparava o almoço. Como toda mulher que é a dona do lar e tudo monitora, indagou do esposo:

– Meu bem, quem estava batendo à porta.

E ele disse gesticulando com as mãos:

– Ah! eram umas crianças, uns meninos.

E não satisfeita a dona da cozinha questionou:

– Mas, o que eles desejavam?

– Pão duro, mulher – respondeu com enfado. Pedi para passarem amanhã.

– Bem, olha o pão novo na mesa e outro guardado…

Qual a religião desse professor? Espírita, budista, católico, protestante, evangélico? Sei lá!

No Evangelho, encontramos preciosas lições sobre o pão ensinadas por Jesus, quando repartiu com os discípulos, quando multiplicou e dividiu com o povo, quando foi tentado pelo pão – com fome na quarentena – e a oração do “pão nosso de cada dia nos dai hoje”.

É certo que todos estamos almejando a felicidade duradoura, e como fórmula de conquistá-la precisamos aprender que é dando que se recebe e que coisa boa atrai coisa boa. Portanto, que o pão nosso comece com tudo de bom para o nosso semelhante em cada despertar de nossa consciência.

(1) Agenda cristã – André Luiz (Chico Xavier) FEB
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