Rubinho de Souza

“A igrejinha”

Ao ver a foto que ilustra esta publicação, me veio nitidamente lembranças dessa época, em que nós apelidamos de “igrejinha” devido ao tamanho do prédio da Congregação Cristã, visto que nesse tempo eram poucos os membros e frequentadores dos cultos.

Lembro também que ao lado da Congregação, havia um enorme terreno vazio, cujo local era alugado para instalação de circos, parques e afins, e quando as músicas começavam a tocar no parque, quase encobria o som da orquestra da igreja, que era composta de poucos músicos.

Para compensar o som alto que vinham do alto falante do parque, os músicos tocavam mais forte, e nós do coral de vozes, também acompanhávamos cantando mais alto os nossos hinos, encobrindo assim em parte o som das músicas.

Mas, mesmo contra nossa vontade, algumas músicas por serem repetidas incansavelmente, ficavam gravadas em nossa mente, martelando nosso cérebro, tanto que dia desses ao fazer minha caminhada habitual com meus amigos Luiz Quibao e Hélio Castelo, ao passar pela Rua Jornalista José Miguel Bósio, que fica atrás de onde era a “igrejinha”, me veio à mente essas recordações que hoje compartilho com você.

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Foto enviada pelo colunista

E eu dizia aos meus amigos, ao passar pelo local, que uma das músicas que mesmo não desejando, acabou por ficar gravada em minha memória, dizia mais ou menos assim:

“A moça velha quando vai se confessar
Pergunta logo para o padre se é pecado namorar
O padre diz minha filha vai rezar
Que moça velha não precisa se casar
Bota pó, vitalina bota pó
Que moça velha não sai mais do caritó”

E cantei um pedaço para Luiz e Hélio ouvirem, pois não só a letra, mas até mesmo a música ficou na minha memória, que ao lembrar desse tempo, parece-me estar ouvindo a dita cuja.

Quanto aos circos, que instalavam no mesmo local, para fazer a “chamada” do povo ao espetáculo da noite, seus integrantes saiam às ruas da cidade vestidos como se apresentavam nos espetáculos, fazendo malabarismos com bicicletas de uma roda só, ou, andando em pernas de pau enormes, que de tão altas, certa vez meu irmão Cilas me levando na bicicleta, passou por baixo das pernas de pau do palhaço.

Alguns animais também eram exibidos para atrair o público, mas a atração principal ficava por conta do rei das selvas, cujo rugido ecoava nas noites à longa distância. Mas para ver o leão, só mesmo quem fosse ao espetáculo à noite.

Havia também entre outros, o desafio aos moradores da cidade, por uma lutadora, que dizia não haver encontrado nenhum homem capaz de ganhar dela. Muitos moradores da cidade que se sentiam ofendidos, se dispunham a enfrenta-la, e acabavam apanhando feio da mulher para deleite do público presente.

Quem viveu nessa época, com toda a certeza, confirmará tudo o que vos escrevi, e eventualmente se recorde de mais detalhes desse tempo e dos eventos que se realizavam nesse espaço ao lado da nossa saudosa “igrejinha”
Gratidão por me prestigiar com sua leitura. Se Deus deixar, semana que vem tem mais. Abraço.logo do fundo do baú raffard

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