Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

Álcool, mito e verdade e o coronavírus

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA
Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA

Consciência é a parte da psique que se dissolve em álcool.
H. D. Lasswell

Coisas ruins e boas continuam acontecendo no Brasil, enquanto estamos vivendo e sendo surpreendidos pela pandemia do coronavírus.

Em relação ao uso de bebidas à base de álcool, em primeiro lugar, é muito importante lembrar e desmistificar: o consumo de álcool não protege de forma alguma contra a covid-19 nem previne que você seja infectado pelo vírus.

Em segundo lugar, temos notícias e relatos de que já houve mortes relacionadas à ingestão de diversos produtos alcoólicos (detergentes, produtos de limpeza), em alguns países, durante a pandemia de covid-19, com base na crença equivocada de que eles, de alguma forma, oferecem proteção contra o vírus.

Pesquisas de especialistas em saúde coordenadas pela Organização Mundial da Saúde – OMS (1) apuraram alguns mitos e fatos:

O primeiro mito é que consumo de álcool destrói o vírus que causa a covid-19.

Fato: O consumo de álcool não destrói o vírus que causa a covid-19 e provavelmente aumenta os riscos para a saúde se a pessoa contrair o vírus. O álcool (a uma concentração de pelo menos 60% por volume) funciona como um desinfetante para a pele, mas não tem esse efeito dentro do seu organismo quando ingerido.

Outro mito: beber uma bebida alcoólica forte mata o vírus inalado no ar.

Fato: O consumo de álcool não mata o vírus inalado no ar, não desinfeta a sua boca e garganta nem oferece nenhum tipo de proteção contra a covid-19.

Mais um mito: o álcool (cerveja, vinho, destilados ou licores de ervas) estimula a imunidade e a resistência ao vírus.

Fato: O álcool tem um efeito nocivo sobre o sistema imunológico e não estimula a imunidade nem a resistência ao vírus.

O que sabemos é que o álcool afeta, tanto a curto como a longo prazo, quase todos os órgãos do corpo.

Por outro lado, o uso do álcool, sobretudo o uso excessivo, debilita o sistema imunológico e, assim, reduz a capacidade de enfrentar doenças infecciosas.

De modo geral, as evidências indicam que não existe um “limite seguro” de consumo. Realmente, o risco de danos à saúde aumenta com cada unidade de álcool consumida. Sabe-se que o álcool, mesmo em quantidades muito pequenas, causa certos tipos de câncer.

E o uso excessivo de álcool aumenta o risco da síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), uma das complicações mais graves da covid-19.

(1) https://www.uniad.org.br/wp. Com bases em documento elaborado por Maria Neufeld, consultora do Escritório Europeu da OMS.

ARTIGO escrito por Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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