ColunistasLeondenis Vendramim

Bíblia sem preconceito – 14

Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História

Em resposta a um jovem que inquiria o que fazer para herdar a vida eterna Jesus disse: “Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. Há uma corrente de religiosos antinomistas (creem que os cristãos são salvos pela graça, e nada têm a ver com a lei de Deus), neste caso podem matar, roubar, adulterar…), são os dispensacionalistas. Dizem: ninguém é justificado pela lei; estamos debaixo da graça, não da lei. Os opostos, os legalistas dizem que pela guarda da lei recebemos bênção e salvação. Karl Barth ensinava que tanto a lei quanto a graça são importantes para a salvação. Há ainda o grupo dos relativistas que creem que toda a Escritura, incluindo a lei, é relativa, circunstancial, não é declaração absoluta, o amor, e a graça são superiores à lei de Deus. Como em todo o governo, no reino de Deus há lei, cujo transgressor deve ser penalizado conforme a gravidade do delito. A prescrição do governo divino era que o transgressor da lei seria morto (Gn 2:17; Ez 18: 4, 20; Ro 6:23). Como Adão e Eva pecaram foram condenados. Porque Deus os amava, deu-lhes nova oportunidade. O Senhor instituíra, mesmo antes de criar o ser humano, a graça, isto é, o próprio Deus tornar-Se-ia humano para sofrer os castigos e a morte em lugar dos pecadores (João 3:16; Ro 5:6-11). Está claro que a salvação é unicamente para o transgressor que crer. Todos os “santos”, “justos”, e “bons”, não precisam de salvação. Cristo morreu só pelos maus e condenados. Pedro disse que para alcançar a salvação os pecadores precisam reconhecer os erros e arrependerem-se (At 2:38). O arrependido não continua na transgressão (1 João 3:6-10; Ro 6:15).

O Papa Francisco disse: “O cristão é uma testemunha da obediência e se nós não estamos neste caminho de crescer no testemunho da obediência, não somos cristãos.” (Missa/ 27/o4/2017). A Confissão de Fé de Westminster aprovou a observância da lei de Deus. Lutero, Calvino, João Wesley e outros reformadores pregaram a salvação somente pela fé, mas também, que pecado é transgredir a lei divina. Adão e Eva pecaram porque já havia a lei que os orientava a não pecar, pois no dia em que pecassem morreriam (Gn 3:3). A lei de Deus é eterna (Sl 111:7-8); Jesus não a mudou nem a anulou, mas a obedeceu e a declarou irredutível “ainda que o céu e a terra passem nenhum j ou til se omitirá da lei” (Mt 5:17-18). Como dizem vários teólogos, a lei é a expressão do caráter de Deus, e assim como o Seu caráter, ela é imutável. Portanto se a lei é eterna, transgredi-la será sempre pecado. Sendo assim, para ser justificado, o pecador precisa ou morrer por seus pecados ou contar com a morte de Jesus o impoluto, e contar ainda com a Sua ajuda para nos fortificar na guerra contra nossos desejos pecaminosos. S. Paulo diz que os ouvintes, conhecedores da lei não são justos aos olhos de Deus, mas sim aqueles que a guardam hão de ser justificados (Ro 2:13).

Qual é a lei? Os livros de Êxodo 20 e Deuteronômio 5 desfilam (resumidamente): Não terás outros deuses diante de Mim; Não farás imagem de escultura; Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; Lembra-te do dia do sábado para santificá-lo, nele não farás nenhum trabalho; Honra teus pais para que tua vida seja prolongada; Não matarás; Não adulterarás; Não furtarás; Não dirás falso testemunho (não mentirás); Não cobiçarás coisa alguma do teu próximo.

Quando Deus livrou os israelitas da escravidão de 430 anos, acostumados à idolatria e a todos os hábitos imorais, teve de pôr toda ênfase, envolve-los num cenário todo apoteótico e santificado, com trovões, relâmpagos, nuvem espessa em labaredas, no monte Sinai tremente, a ponto de os israelitas clamarem a Moisés que Deus não lhes falasse para que não morressem (Ex 20:18-21;19). Deus dissera: “vistes que do céu Eu vos falei, não fareis outros deuses” (Ex 20:22). Será que Deus terá de nos envolver num cenário tremente como esse, para nos impressionar e nos levar a guardar Sua lei?!

ARTIGO escrito por Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História
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