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Bíblia sem preconceito – 29

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Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

Da assembleia dos Cavaleiros da Cruz de Cristo (templários) saíram Inácio de Loyola e seis sequazes para fundar a ordem dos jesuítas, os mais sanguinários inquisidores.

Sua metodologia consistia em mostrar docilidade de um santo, mestre, milagreiro, intercessor entre o pecador e Deus, conseguida a confiança, então usavam a imposição, o medo, terror, tortura, morte e extorsão.

Nenhuma linguagem é capaz de descrever a crueldade demoníaca desses padres. Quando os inquisidores se ressentem contra algum inocente recorrem a todos os expedientes para condená-lo: juramentos e testemunhos falsos, sacrificam leis e instituições para saciar sua fanática perseguição, diz João Foxe.

Tornaram-se um Estado dentro de outro. Segundo Adhemar Castro, consagravam seus labores com o sangue dos hereges e votavam: “Quero enforcar, queimar, escaldar, extirpar suas mulheres e triturar contra as paredes as cabeças de seus filhos, para melhor destruir sua raça execrável.

Consagro minha vida, minha alma, minhas forças físicas à realização desta tarefa. Pelo presente faço este juramento assinado com meu sangue.” Ver também O Grande Conflito, 234-235 e a Mônita Sagrada. Pensavam que quanto mais a vítima sofresse mais alegrariam a Deus e aborreceriam o Diabo.

Outros, como Francisco Burlamacchi, Beaumanoir, saíram para adirem-se à Maçonaria ou Pedreiros Livres, já existentes como sociedade secreta, tendo sua primeira assembleia em 1226 na Inglaterra. Maçonaria, como outras, era uma ordem religiosa mantida pela Igreja Católica, originária dos Templários presididos por grão-mestres como Jacques De Molay.

Os Templários tiveram uma tripartição: já no século 13, em Portugal, assumiram a Ordem dos Cavaleiros de Cristo administrada por D. Dinis. Na assembleia de Mont Serrat (1530), muitos cavaleiros engrossaram a Subl:. Ord:. Maç:. (Sublime Ordem Maçonaria) e outra ramificação tornou-se a Companhia de Jesus, reconhecida em 1534 e oficializada pelo Papa Paulo 3º (1540). Os loyolanos tornaram-se inimigos férreos dos maçons.

A maçonaria participou de movimentos históricos como a Revolução Francesa, independência e república dos EUA, independência dos países sul-americanos, abolição da escravatura.

Homens renomados como vários iluministas (donde o lema: “liberdade, igualdade e fraternidade, George Washington, Benjamim Franklin, Theodore Roosevelt, Harry Truman, Lindon Jhonson, Gerald Ford, Bill Clinton, Simão Bolivar, Francisco Solano Lopes. Frei Caneca, José Bonifácio, D. Pedro I, D. Pedro 2, Duque de Caxias, Teófilo Otoni, Barão do Rio Branco, Rui Barbosa, Pe. José Fabiano e muitos outros foram maçons. Mulheres não são aceitas como membros, exceto na maçonaria francesa, segundo Tenório D’Albuquerque.

Embora seus membros neguem, a Maçonaria é uma sociedade religiosa. Segundo seu escritor J. B. Lira os maçons precisam crer no Deus Criador e Juiz, de Quem são dependentes e a Quem oram, têm exposta a Bíblia e a leem na sua reunião. Receberam muita influência do esoterismo, rosa cruz, hinduísmo, cabala.

É uma sociedade secreta assistencial. João Batista, João Evangelista, o lendário João Esmoler, e Jacques De Molay são seus patronos. Seus membros podem pertencer a múltiplas religiões, motivo pelo qual não se prega doutrinas religiosas nem políticas.

Seus simbolismos são divididos em três graus: Aprendiz, Companheiros e Mestres. A Loja é governada por três mestres: Venerável-mestre e dois Vigilantes. Para abrir uma loja (trabalhos) é necessária a presença de sete operários (baseado nas 7 colunas da sabedoria citada por Pv. 9:1).

O templo é altamente simbólico, representa o universo, seu comprimento deve ser o triplo da largura (como o templo de Salomão), o piso ladrilhado em diagonal nas cores preta e branca, paredes azuis; no átrio, ladeando a porta de entrada, há duas colunas principais chamadas Jaquin (J) e Boás (B) (do templo salomônico – 2 Cr 3:17) cor de bronze; lapidados nelas, folhas de papiro, que lembram a Isis, a Grande Viúva, a deusa que construiu um barco e foi procurar seu marido e irmão Osíris (deus Sol).

É simbolismo da busca da transcendência em Osíris. A porta serve para impedir que os trabalhos secretos sejam vistos ou ouvidos e não se permitem janelas pelo mesmo motivo. Seus membros guardam seus mistérios com senhas, sinais e palavras, não começam seus trabalhos sem a “cobertura”, isto é, sem a certeza que não há estranho presente.

O teto azul estrelado conforme o mapa celeste contendo um vitral circular com os signos zodiacais, ficando câncer ao Norte e Capricórnio ao Sul. Uma corda com 81 nós equidistantes rodeia no alto das paredes para lembrar os significados esotéricos. Ao Norte fica a bandeira brasileira e ao Sul a maçônica.

ARTIGO escrito por Leondenis Vendramim, professor de Filosofia, Ética e História
Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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