Leondenis Vendramim

Bíblia sem preconceito – 44

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Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

Deus criou o homem para viver eternamente sob a condição de obedecê-Lo. O Senhor orientou: vocês podem comer os frutos de todas as árvores, mas não comam o fruto da árvore que está no meio do jardim, porque no dia que comerem morrerão (ver Gn 3:2-3).

O Diabo disse-lhes que não morreriam, seriam até mais sábios, conhecendo o bem e o mal (Gn 33:4-5). Como Eva acreditou no Diabo, comeram, morreram e a sentença de morte passou para sua posteridade. Portanto, todos somos mortais.

A poluição, os vícios, a genética, os embates, os crimes, e muitas outras adversidades podem abreviar ou interromper a vida, ou, a morte virá pela degenerescência gerôntica. Porém o ser humano nunca se conformou com a morte, nem Deus Se conforma.

Jesus chorou diante do funeral de Lázaro (João 11:35). O homem sempre procurou postergar, evitar o seu fim e buscar a vida sempiterna. Diz uma lenda que três amigos estavam conversando, quando, repente, a Morte surgiu com uma foice no ombro.

Ela marcou para cada um, dia e hora que viria buscá-los. No horário combinado, sem atraso, ela levou aos dois primeiros. Dez horas antes do momento aprazado para levar o terceiro, este arriou o cavalo e fugiu para outra cidade. No momento acertado a morte lhe apareceu.

_Como você me achou? Perguntou o fugitivo trêmulo. A Morte lhe respondeu:

_Você esqueceu? Foi aqui que eu marquei o encontro com você!

No século X, o imaginário europeu, cheio de fantasias e desejo de riqueza, sexo livre, e vida fácil, concebeu lendas, confundindo com o real. Dispunham-se à viagens longínquas e enfrentar os monocalis (gigantes com 1 olho na testa e outro na nuca), antípodas, cinocéfalos, acéfalos, trogloditas, os exércitos de Gog e Magog (inimigos do povo de Deus (Ez 38:1-4) a fim de encontrar o Paraíso com a água da vida eterna; rios cujos leitos continham veios auríferos inesgotáveis.

É conhecido o episódio das expedições épicas, mandadas pelo rei D. João 2º (séc. 15) para fazer aliança com o reino imaginário de Preste João contra os árabes e judeus, inimigos do catolicismo. O personagem Rabelai se casaria com a filha de Preste João. Os padres interessaram-se nesse empreendimento pela opulência e cristianização.

Os europeus imaginavam enriquecerem-se sem trabalhar; a ociosidade era sinal das bênçãos e o trabalho castigo divino por não se catolicizar. No Oriente estava o Éden com seus rios: o Nilo era o edênico Gion (Gn 2:13) visitado por Dinis Fernandes em 1445 e por um veneziano às expensas do Infante D. Henrique.

Baseados no relato bíblico (Gn 2:8-15) e comentário de Flávio Josefo diziam que os rios Nilo, Ganges e Tigre uniam-se no subterrâneo. O Papa Nicolau 5º declarou pela bula “Romanus Pontifex, que o outro braço era o Senegal.

Como as águas do rio da vida, no Éden, produz vida eterna, saúde e juventude (Ap 22:1-3) a carta do lendário Preste João diz que essa mesma fonte fica à 3 dias do jardim donde Adão foi expulso, e quem, em jejum, bebesse por 3 vezes de suas águas seria curado de qualquer enfermidade e viveria como se tivesse 32 anos (Visão do Paraíso, 24). Segundo relatos, outras fontes da juventude foram localizadas alhures.

Pedro Mártir de Aghiera revela que um homem, com muitas doenças próprias da velhice, provou da água da Fonte, voltou inteiramente rejuvenescido, casou-se novamente e teve vários filhos. Aghiera levou as boas novas ao Papa Leão 10.

Ao descobrirem as terras da América do Sul, acharam que o Paraíso seria aqui, pois o seu mapa tem o formato do coração. Os rios Madalena, o Amazonas e Orenoco eram os rios edênicos. Mais tarde o Brasil tornou-se o Éden.

Os portugueses diziam estar aqui o “Jardim”, onde ao chegar e comer o “fruto”, os doentes saravam. Os viajantes comiam carne estragada durante sua vinda, adquiriam escorbutos, as gengivas muito inchadas e ao chupar laranjas, ou, abacaxis eram restaurados, por isto estas frutas foram consideradas “fruto da árvore da vida”. Notaram também que não havia índios doentes, eles eram longevos, vivendo até “mais de 132 anos”.

Pero Vaz de Caminha escreveu: “A terra em si é de muito bons ares… águas infindas, é graciosa… dar-se-á nela tudo… Gandavo e outros padres noticiavam, aqui não faz frio nem calor extremos”. Como não havia doentes, seria mau negócio médicos virem morar no Brasil. Só ficariam doentes os dados à bestialidade.

ARTIGO escrito por Leondenis Vendramim, professor de Filosofia, Ética e História. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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