Leondenis Vendramim

Bíblia sem preconceito – 55

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Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

O que dizem a Bíblia e a ciência sobre oração (no sentido religioso).

Oração é falar com Deus, quem está feliz exalta e agradece seu Benfeitor, ou, suplica o que não consegue por si mesmo, para si, ou em benefício de outrem. A oração não deve ser com palavras rebuscadas, se não, como oraria o analfabeto?

A oração deve ser clara, com linguajar próprio. É o abrir o coração ao seu Criador. Para tanto, precisa crer que Ele existe, ouve, e pela Sua benignidade fará o melhor. Se Deus é perfeito, então não é surdo (Is 59:1), conhece até o pensamento (1 Co 3:20), não precisa gritar (faz mal para quem grita e ensurdece os ouvintes).

Não deve fazer de Deus um ininteligente, repetindo palavras, verborrejando (Mt 6:7). Numa reunião deve orar um de cada vez, com ordem e decência (1 Co 14:40). Segundo o Dr. J.R.Miller ao orar, a pessoa deve sentir real necessidade e dependência de Deus para obtê-la, palavras formais não é oração. A oração não deve ser repetitiva e, ou, decorada (Mt 6:7).

Oração sem fé são palavras ao vento, ficará sem resposta divina (Tg 1:6-7). Deus é bom (Sl 86:5), se Ele deu Seu próprio Filho pelo pecador, não lhe dará todas as demais coisas (Ro 8:32)? Pedi e dar-se-vos-á, buscai e encontrareis, batei e abrir-se-vos-á (Mt 7:7).

Diz uma biografia de Lutero, fundador do luteranismo, que Ele dedicava 2 horas diárias para orar, mas quando muito atarefado, orava 3 horas. João Wesley, fundador do metodismo dedicava muito tempo à oração e ensinava seu método – daí Metodista.

Escreveu dezenas de livros e muitos sermões, pregava desde às 5 h da manhã e viajava 7500 km por ano. Os grandes homens de Deus sempre dedicaram muito tempo à oração particular, mas nas reuniões, suas orações eram curtas, exemplo disso foi “O Príncipe dos Pregadores”, Dr Charles Spurgeon.

Mas, o que pensam os cientistas, pesquisadores sobre a oração? Peter Maass, da Super- interessante, escreveu sobre a pesquisa da Duke University, EUA, a respeito da eficácia da oração para ajudar a cura de doentes, dirigida pelos Drs. Krucoff auxiliado pelo Dr. Crater, iniciada em 1990, quando começou a realizar angioplastia em enfermos muito graves.

Os pacientes assinavam termo dizendo que a cada três, um tinha chance de cura e eram encorajados a orar como nunca. Para sua surpresa houve queda de 33% para 3% na mortalidade. Dr Krucoff disse haver algo mais poderoso do que suas habilidades e técnicas nisso. Esse processo é chamado de terapias noiéticas, ou terapias espirituais.

Investigam “se um acréscimo de preces tem um efeito mensurável” no tratamento. Nele nem os pacientes, nem os médicos sabem quem está sendo favorecido pelas orações; são designados aleatoriamente por um computador para receber ou não, súplicas. Dra Barrie Cassileth, chefe da medicina no “Centro de Câncer do Memorial Sloan-Kettering”, em Manhattan, diz que ‘A oração é mágica’; “Mas ela vê limites no poder das orações intercessoras”.

“A ideia é que algumas pessoas podem influenciar, à distância, o estado de saúde de alguém que não conhecem… mas não há nenhuma evidência que comprove os resultados.” O Rvdo. Jerry Falwell afirma: ‘Não sei se Deus responde a pesquisa como esta, Deus quer que acreditemos com base nas promessas da Bíblia e não em pesquisas científicas’. “Mas se fosse um dos pacientes de Krucoff” ‘gostaria de estar no grupo por quem as pessoas estão rezando’.

Há muitas outras pesquisas sobre a influência da oração na cura de doentes, como a dirigida pelo Dr. Herbert Benson da Universidade da Harvard, com 1200 pacientes com ponte de safena. Nem toda a ciência e a Medicina moderna tecnológica têm todas as respostas, concluiu Maass. Time, 31/8/2000.

Deus é Todo-poderoso e Amoroso (Sl 62:11-12), rege o Universo todo, conta os cabelos dos seres humanos (Mt 10:30), conhece a necessidade do suplicante antes de pedir (Mt 6:8), É Presciente, isto é, conhece o futuro, e o revela pelas profecias, mas não cedeu a Jesus à Sua oração no Getsêmani (Mt 26:39-44), caso contrário o homem estaria perdido; nem a Paulo (2 Co 12:7-9), houve milhões de heróis da fé, decapitados, serrados, queimados vivos… Ouvisse todas as orações (uns oram para chover, outros para não chover, há os que oram para mal dos semelhantes), como seria a vida?

É melhor deixar que o Deus Bondoso reine sobre todos os homens, Ele é o Deus que alimenta a todos, e apesar dos homens, ainda há flores, pássaros, crianças e pôr-do-sol para alegrá-los.

ARTIGO escrito por Leondenis Vendramim, professor de Filosofia, Ética e História. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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