ColunistasJ.R. Guedes de Oliveira

Bicentenário de Walt Whitman

JR Guedes de Oliveira
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Neste próximo 2019, mais precisamente no dia 31 de maio, estaremos comemorando o bicentenário de nascimento do célebre poeta norte-americano Walt Whitman.

Polêmico, audaz, inovador, profeta, humanista – são atributos que podemos evidenciar nesse cancioneiro dos versos livres, dos poemas quebrados, da sintonia com a realidade e do domínio ímpar da palavra, particularmente do verbo que fez dele um autêntico escritor.

A obra Leaves of Grass (para nós, Folhas de Relva), representa a síntese de sua vida e do seu “eu” que tanto ele cantou e fez questão de se situar, num tempo em que o seu país, os Estados Unidos, passava por difíceis tormentas, sacudido, pois, pela Guerra Civil Americana (Guerra de Secessão, de 1861 a 1865). Por longos dias de 1863 e 1864, trabalhou na capital Washington, DC, como voluntário em hospitais militares. Assim¸ a sua vertente poética não é desassociada da realidade da vivência entre a escrita e o labor em prol dos seus irmãos feridos no grande conflito entre nortistas e sulistas.

Este colossal livro – Folhas de Relva – só foi mesmo concluído a partir de sua nona edição, pois que o poeta foi apenas inserindo novos trabalhos em cada momento de sua vida, a partir de um mesmo título. Coisa “sui generis” em termos de literatura poética.

Quando se lê os escritos de Walt Whitman é perfeitamente compreensivo estar olhando nos seus olhos, sentindo a sua presença, observando o clamor da sua gente, o vibrante e acendrado amor pela humanidade. É que a poesia de Whitman tem a possibilidade de nos arrebatar a alma e, com ele, vagar pelo mundo, observando as suas contradições.

Justamente neste 2019, é bem salutar compreender Walt Whitman não como um poeta tão somente voltado para si, mas pela sua manifestação escrita em favor de uma civilização mais aconchegada com os que clamam por uma réstea de sol.

Além de tudo, é necessário que tenhamos a compreensão do que representou Whitman para nós brasileiros, principalmente num momento de ruptura, como o foi a Semana de Arte Moderna de 22. Só mesmo com a presença espiritual do poeta, houve a verdadeira reviravolta na escrita, com o abandono da forma tradicional da criação: métrica, versos perfeitos, cadência, rima, classicismo da forma e feitio, etc. E neste particular avanço rompedor, pudemos caminhar, na poesia, com a liberdade de expressão, dentro das linhas do modernismo e do pós-modernismo. O surgimento, através do pensamento de Whitman, de composições poéticas das mais variadas formas e vertentes, como, por exemplo, o concretismo e o modernismo, veio a dar um grande fôlego para o surgimento de figuras das mais expressivas no cenário brasileiro. Já predominava, portanto, a feitura dos versos sem a necessidade das amarras que tanto inibiu as fases literárias dos nossos laços oriundos das academias francesas.

Assim sendo, neste 2019 há uma repercussão enorme, em todo mundo, principalmente nos Estados Unidos, berço de Whitman, em reverenciá-lo de todas as formas possíveis, revigorando, em cada evento a grandeza que ele foi e que ele produziu. De Long Island – NY, sua cidade natal, até Camden – NJ, sua cidade adotiva e onde está sepultado, uma corrente de festividades, enaltecendo o seu nome, sem contar os eventos em outras regiões americanas e além fronteira.

No Brasil, não ficaremos por menos, já que uma plêiade de entusiastas está se movimentando para homenagear e reconhecer, condignamente, o que Walt Whitman representa no cenário literário mundial. É um momento ímpar de prestar-lhe tributo merecido, não só pela sua literatura, mas, também, pelo que ele foi em favor da união de seu país e a âncora dos sofridos e desamparados.

Aos que se interessarem por maiores informações sobre Walt Whitman, aconselhamos a cessar, pela internet: whitmanarchive.org (The Walt Whitman Archive), waltwhitman.org (Walt Whitman Birthplace Association) e waltwhitman.org (Walt Whitman Initiative).

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