Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

Chico Xavier conta que dois espíritos moram numa casa

No livro Sexo e destino (1), psicografado pelo médium Chico Xavier, vamos encontrar um caso muito curioso. Dois desencarnados moram numa casa e acompanham o proprietário, Cláudio, que é um contumaz usuário de álcool.

Além da indução ao vício, ainda o induzem a uma perversão sexual com a filha. Os dois habitantes do Além são almas que deixaram o corpo e não deixaram a sede do alcoolismo, locupletando suas vontades de perispírito a perispírito do encarnado.

O perispírito sofre essas repercussões do uso e abuso do álcool e outras drogas, registrando e expurgando no futuro, com dor, no seu aperfeiçoamento.

O filósofo francês Léon Denis afirma que “cada pensamento ruim, cada ato criminoso, cada hábito pernicioso provocam uma contração no ser psíquico, condensando o corpo espiritual, entenebrecendo-o e carregando-o de fluidos grosseiros”.

Através da psicografia de Chico Xavier, no livro Obreiros da vida eterna (2), jornadeando nas zonas inferiores em socorro a um ex-padre, André Luiz relata o sofrimento de um espírito que cometeu abusos e sofreu no perispírito e na consciência a sua desdita: “Dedicava-me à consolação, mas fugia à responsabilidade! A morte atirou-me aqui, onde tenho sofrido bastante as consequências do meu relaxamento espiritual! Socorrei-me, por Jesus!”.

A espiritualidade não deixa de atender o encarnado, desde que este faça bom uso das bênçãos, e neste caso o médico espiritual Calderaro recebeu a notícia de que o atendido (Antídio) já tinha recebido dez auxílios; diante disso, determina que ele teria de amargar o sofrimento no hospital, para despertar de sua inconsequente embriaguez.

E o médico André Luiz relata: “A cena infundia angústia e assombro. Estaríamos diante de um homem embriagado ou de uma taça viva, cujo conteúdo sorviam gênios satânicos do vício?”

“(…) Semidesligado do organismo denso pela atuação anestesiante do tóxico, passou a identificar-se mais intimamente com as entidades que o perseguiam. Os quatro infelizes desencarnados, a seu turno, tinham a mente invadida por visões terrificantes do sepulcro que haviam atravessado como dipsomaníacos”. (3)

Os vícios, os abusos e as más ações vão dando, ao corpo espiritual, forma grosseira e opaca, “acorrentando-o” à primeira esfera espiritual (ou umbral), por sua própria materialidade, condenando o espírito a ficar encerrado nas baixas regiões do nosso planeta.

ARTIGO escrito por Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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