Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

Chico Xavier: O desapego e a espiritualidade

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA
Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA

Ninguém começa a existência no berço de agora, todos somos seres espirituais criados por Deus há muitos milênios e passamos pela fieira das reencarnações para chegar no estágio atual.

Onde foi que o médium Chico Xavier conquistou a humildade, a sabedoria, a faculdade de comunicação com os mortos? (Não era ele que os evocava, e sim os espíritos que o procuravam.)

Médium desde a infância, Chico Xavier exerceu, sem conhecer, a prática da mediunidade junto dos pais e também na escola, quando foi premiado por um trabalho escolar ditado por um “morto”. Aos dezessete anos conheceu o espiritismo que foi luz na sua vida, e de todos nós espíritas brasileiros, dando início à produção magistral de livros ditados por centenas de autores desencarnados.

Indicado ao prêmio mundial Nobel da Paz, em 1981 e 1982, Chico Xavier teve seu nome aclamado por cerca de 2 milhões de assinaturas no pedido de candidatura.

Em 1999 o Governo de Minas Gerais instituiu a Comenda da Paz Chico Xavier; e em 2012 ele foi eleito O Maior Brasileiro de Todos os Tempos, em um concurso homônimo realizado num programa de televisão brasileira, com objetivo de “eleger aquele que fez mais pela nação, que se destacou pelo seu legado à sociedade”; foi eleito numa disputa com centenas de personalidades brasileiras, vencendo com 71,4% dos votos, na final, com os concorrentes Santos Dumont e Princesa Isabel.

O médium mineiro, que somente obteve o diploma do primário, conseguia traduzir do Além para a Terra consoladoras mensagens espirituais, organizadas em quase 500 títulos. Cedendo os direitos autorais, possibilitou sua publicação e comercialização por diversas editoras, nada usufruindo desse comércio.

O desapego, a espiritualidade e o amor de Chico Xavier pela causa espírita é surpreendente; se tinha crise familiar, procurava administrar, e se não tinha, não procurava criar uma crise em sua mente pacífica, tolerante e generosa.

Muito modesto, dizendo que não tinha dinheiro no banco e nem carro, viveu à custa do seu trabalho desde a juventude, como tecelão, balconista e escriturário da Secretaria da Agricultura de Minas Gerais.
As doações que foram enviadas para ele, fez questão de repassar todas, desde um simples relógio a um imóvel, que foi transferido para uma instituição filantrópica.

Os livros organizados de sua psicografia venceram barreiras e foram e continuam sendo traduzidos para diversos países, como em italiano, espanhol, francês, inglês, grego, japonês, esperanto, e outros idiomas. E essas psicografias em cartas e livros foram adaptadas para o teatro e cinema.

Outra faceta de sua mediunidade foi trazer mensagens dos mortos aos familiares, de cunho pessoal, com detalhes somente conhecidos destes e de alguns da família, chegando ao extraordinário fenômeno de reproduzir até a assinatura do espírito comunicante.

O mineiro de Pedro Leopoldo continuou sendo o Chico que aceitou a meta do seu mentor e, com disciplina, estendeu o bem a todos que o procuraram em vida. Podemos dizer que vivenciou a mensagem de Jesus na Terra: dar de graça o que de graça recebeu. Ele não tinha nada, mas deu muito amor e compreensão para as criaturas que o buscaram.

Ele nos ensinou, no trabalho com a criança, que “qualquer criança desprotegida que encontremos na rua não é motivo para revolta ou exasperação, e sim um apelo para que trabalhemos com mais amor pela edificação de um mundo melhor e mais fraterno”.

Na sua serena humildade, dizia que não era Francisco, o São Francisco, mas apenas o final deste nome, o Cisco, que servia de alguma forma como intermediário dos amigos espirituais.

Em carta de 29 de julho de 1958, dizia na sua simplicidade sobre um pedido seu: “Quanto mim, se algo posso falar ou pedir, nesta hora, rogo a todos os corações caridosos uma oração à nossa Mãe Santíssima, em meu favor, a fim de que eu possa – se essa for a vontade da Divina Providência – continuar cumprindo honestamente o meu dever de médium espírita, na religião que Deus me deu, sem julgar ou ferir a quem quer que seja”.

No Grande Além, nas esferas superiores, onde habita, deve gozar o merecido recreio antes de estabelecer novas metas e programações em favor de todos nós, seus amigos e admiradores de tanta bondade e espiritualidade.

ARTIGO escrito por Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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