Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

Coronavírus e outras pragas

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA
Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA

A diferença entre o Brasil e a República Checa é que a República Checa tem o governo em Praga e o Brasil tem essa praga no governo. Luís Fernando Veríssimo

Os homens chegam ao poder na política, mas eles saem de nossas próprias cidades, de nossas ruas, nossas casas – ou seja, é necessário sermos melhores para que eles melhorem.

Os governos ruins vêm de um caldo de homens ruins e ambiciosos; se a massa da população continuar ruim, sempre que se troca de poder voltarão os ruins, como as aftas, o herpes e o triglicéride – se você não fizer o exercício de se renovar e se cuidar, eles vão estar ali.

Os países vão fechar as fronteiras não para impedir a invasão de militares, mas de enfermos (não haverá uma terceira guerra mundial). O novo mal se transfere pelo contato, pelo aperto de mão, beijo e abraço.

O pânico é uma das piores coisas que podem acometer uma pessoa. O medo é bom quando nos protege da insanidade e de imprevistos, mas é péssimo companheiro quando destemido ou reprimido, medo daquilo que pode não acontecer e, se acontecer, ainda nem se sabe se será bom ou ruim.

Uma médica me disse: “Para mim, é muito sério o problema e estou fazendo o que estão pedindo. O problema desse vírus é a velocidade de transmissão e a possível sobrecarga nos hospitais públicos”.

Todos devemos fazer o que a higiene recomenda, para nossa saúde. Isto é sério, sem dúvida alguma. Para aqueles com um sistema imunológico enfraquecido e pessoas mais velhas (idosos, com mais de 60 anos), e que tenham alguma doença crônica, como diabetes, doenças cardiovasculares, males digestivos ou respiratórios e câncer, o novo vírus é grave e pode ser fatal. Os mais novos e jovens serão como clientes do UBER, todos passageiros de uma gripe.

Mas a infecção e mortalidade do novo vírus Covid-19 é até insignificante em relação aos que morrem diariamente pelo uso e abuso de álcool, tabaco e outras drogas. Será que as autoridades que fazem “ouvidos moucos” não poderiam olhar também para os outros problemas que estão afetando o nosso dia a dia, especialmente nossos jovens?

Dados inéditos do Ministério da Saúde apontam que 17,9% da população adulta no Brasil fazem uso abusivo de bebida alcoólica. Morrem no mundo 3 milhões de pessoas por ano em decorrência disso; por dia são 8.219, mais do que todas as mortes ocorridas até agora pelo coronavírus.

O tabaco (cigarro) no Brasil mata por ano 156.216 pessoas e por dia 428 pessoas. Não é alarmante? Sem levar em conta os que ficam incapacitados para o trabalho e com complicações, com ônus para o INSS e para todos.

O caminho é longo, as dificuldades são muitas, mas com calma, sabedoria e passos firmes, vamos tirando do caminho aquilo que nos atrapalha, e só assim conseguiremos ir na direção certa.

Quem sabe poderemos optar pela escolha de políticos, por exemplo, que também se preocupam com as leis que podem inibir o acesso de jovens à bebida, fumo e drogas, daqui por diante?

ARTIGO escrito por Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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