Rubinho de Souza

Dos meus livros escolares…

logo do fundo do baú raffarddo-fundo-do-baú-raffard-01-11-2019

Hoje, ao acordar logo pela manhã, comecei a lembrar das pessoas com as quais convivemos, e que não estão mais entre nós. Muitas, há muito tempo se foram, outras partiram recentemente, mas todas elas tinham planos, como nós os temos, pensavam em viajar, assim como nós também planejamos conhecer lugares e pessoas diferentes, enfim tinham sonhos a realizar assim como todos nós os temos.

No entanto os planos ficaram por se iniciar, os projetos inacabados e somente restaram suas memórias para serem reverenciadas, e uma grande saudade…

O sentimento que nos toma, ao refletir sobre tudo isso, somado ao fato de que não sabemos ainda quanto tempo temos, enquanto tudo parece estar voando, as horas, os dias e até mesmo os anos estão passando numa grande velocidade, é o de saborear melhor os bons momentos, como uma criança que saboreia um picolé e não quer que acabe…

A propósito, existe uma poesia do memorável escritor Catulo da Paixão Cearense, que encontrei nos meus livros escolares, que retrata com perfeição esse sentimento e nossa relação com o tempo.

Vale a pena a transcrição para que possamos refletir sobre a vida:

Num trem, em grande disparada, pai e filho corriam.
E ambos o que viam? As montanhas, os montes, os horizontes,
O matagal cerrado, os penedos, os rochedos, os arvoredos…
Tudo a correr com a rapidez do vento tresloucado…
E o trem, que era em verdade o que corria, parecia, estar parado.
A criança, o petiz, cheio de espanto, lhe perguntou: Papai!
Por que é que tudo ao longe está correndo tanto, e o trem daqui não sai?!
Os passageiros riam, pois sabiam que o petiz se enganava.
O trem, que parecia estar imóvel, era de fato o que corria e voava.
Dos passageiros todos, um, somente, nem de leve sorriu.
E então os passageiros riram dele, porque ele não riu.
E o poeta (era um poeta…) disse então:
É natural, senhores, a ilusão do petiz iludido.
Muitas vezes a nós a mesma coisa já tem acontecido.
E vós, ó meus senhores – os cientistas, os sábios, os doutores-
Caís no mesmo engano lisonjeiro…
Pois, afinal, todos nós nos enganamos, quando, todos os dias, exclamamos:
– Como é que o tempo passa tão ligeiro! E nós é que passamos.

Por isso caro leitor amigo, vivamos os dias de nossa vida, como se fossem os últimos que nos restam, porque um dia, serão mesmo!

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