Rubinho de Souza

Feliz Ano Novo

Nos anos 70 eu morava na rua Maurice Allain, em frente do conjunto de sobrados dos irmãos Forti, e logo que chegava para almoçar, eu ligava o rádio na Bandeirantes, no horário que Hélio Ribeiro fazia o programa “O Poder da mensagem”.

Muitas pessoas sintonizavam nesse horário a Bandeirantes, pois no programa o Hélio Ribeiro se ouvia conselhos familiares através de mensagens filosóficas, onde ele chamava os ouvintes à reflexão.

Havia um momento em que ele fazia a tradução livre para o Português de músicas internacionais de sucesso e quando o programa terminava, aquelas mensagens ficavam martelando na nossa mente, de tanto que eram verdade as mensagens que ele transmitia.

Nos anos 70 eu morava na rua Maurice Allain, em frente do conjunto de sobrados dos irmãos Forti, e logo que chegava para almoçar, eu ligava o rádio na Bandeirantes, no horário que Hélio Ribeiro fazia o programa “O Poder da mensagem”. Muitas pessoas sintonizavam nesse horário a Bandeirantes, pois no programa o Hélio Ribeiro se ouvia conselhos familiares através de mensagens filosóficas, onde ele chamava os ouvintes à reflexão. Havia um momento em que ele fazia a tradução livre para o Português de músicas internacionais de sucesso e quando o programa terminava, aquelas mensagens ficavam martelando na nossa mente, de tanto que eram verdade as mensagens que ele transmitia. Muitos da minha geração, tiveram o privilégio de viver nessa época e também ouvir esse programa, e ter sido influenciado por ele, tanto é, que a título de exemplo, vou transcrever abaixo, apenas parte de uma das pérolas da comunicação, declamadas por Hélio Ribeiro com sua voz de barítono, de forma improvisada aos microfones da rádio Bandeirantes em 31-12-75: “Como poderá o ano novo ser feliz se os homens que promovem as infelicidades continuarem sendo os mesmos? A Terra, esse pequenino e inocente planeta, cumpriu a sua missão de girar e girou na sua translação ao redor do Sol, ou na sua revolução ao redor de si mesma, o que mantém essa pequenina parcela do cosmos em equilíbrio com o próprio universo. Os homens nasceram, os homens morreram, os homens se ajoelharam para plantar sementes, se ajoelharam para falar com as crianças, se ajoelharam para pedir perdão e se ajoelharam para sua própria execução. Os homens mataram e roubaram, mentiram e juraram e a maioria dos homens ficou falando de sua verdade particular, individual, do seu interesse próprio, mesquinho. A verdade está acima do homem que dirige e do homem dirigido. A verdade está acima do homem que sabe e do homem que não sabe. A verdade está acima da mulher que gera filhos e da mulher que mata a possibilidade de vida dentro de si. A verdade está acima dos interesses individuais. Ela é una, indivisível. É porque é. O que não é plenamente verdadeiro não é meia verdade. O que não é plenamente verdadeiro é plenamente falso. E os homens continuaram enganando-se, continuaram mentindo, continuaram prometendo. E continuaram analisando as atitudes que eles mesmos provocaram, tornando pior a vida neste último ano que vivemos. E justificaram seus erros promovendo novos erros, e foram injustos na sua justiça. Aperfeiçoaram máquinas, inventaram, parlamentaram, guerrearam para garantir energia para a geração futura que eles mesmos estão matando no ventre materno. Pelo temor do presente mataram adultos, pelo temor do futuro matam aqueles que deveriam nascer. Dois mil anos, três mil, quatro mil, cinco mil em termos de tempo cósmico, universal, esse tempo não é nada. Nosso tempo é muito curto, muito rápido, vertiginoso, veloz, ele passa... e passou. E nós não temos ainda plena ciência do que somos, de onde viemos e para onde estamos caminhando. Como poderá o ano novo ser bom se os homens promotores de infelicidade continuarem agindo da mesma maneira? Mas seja verdadeiro, realista, acredite você no que acreditar, vá fazer uma pesquisa na Rússia, nos Estados Unidos, na França, no Japão, na China, no Brasil e você sentirá uma angústia dentro de cada ser humano. Cada vez menos humano, cada vez menos indivíduo, cada vez menos gente. Porque, quer-nos parecer, que os homens que criaram sistemas políticos, perderam-se no meio do caminho, e o que é preciso, em termos de mundo, (e este grito é inútil e provavelmente se perderá no vazio), é recolocar o homem como meta prioritária. A lágrima da criança oriental é igual à lágrima da criança ocidental, e as lágrimas das duas são iguais a todas as lágrimas de todas as crianças do mundo porque são salgadas. E sangue é vermelho no mundo inteiro. Então o que é preciso para melhorar o amanhã de todas as pessoas, cuidando do presente das crianças de hoje. Como poderá o ano novo ser melhor? Feliz Ano Novo? Como o Ano Novo poderá ser melhor? Não se iluda, se os homens promotores de infelicidades continuarem agindo da mesma maneira! Ah! Mas há uma chance. Há uma possibilidade? Uma... Se você conseguir melhorar as condições de relacionamento neste seu pequeno mundo, o mundo inteiro ficará menos ruim, consequentemente, obviamente ficará melhor, porque você o melhorou no seu pequeno ou no seu grande círculo de relações. Experimente, tente. Afinal de contas essa vida é sua, é minha, é nossa, e ela passa tão rapidamente, tão veloz, de repente você não está mais, de repente você quer abrir os olhos e não abre mais! E você não fez nada, e você não viu nada, você não sentiu nada, você não melhorou nada. Como poderá o ano novo ser feliz se você não for feliz? Como poderá o ano novo ser melhor se você não for melhor? Que Deus nos ajude a todos para que possamos ser realmente verdadeiros, quando dissermos uns aos outros, Feliz Ano Novo! Feliz Ano Novo! Feliz Ano Novo”!
Foto enviada pelo colunista

Muitos da minha geração, tiveram o privilégio de viver nessa época e também ouvir esse programa, e ter sido influenciado por ele, tanto é, que a título de exemplo, vou transcrever abaixo, apenas parte de uma das pérolas da comunicação, declamadas por Hélio Ribeiro com sua voz de barítono, de forma improvisada aos microfones da rádio Bandeirantes em 31-12-75: “Como poderá o ano novo ser feliz se os homens que promovem as infelicidades continuarem sendo os mesmos? A Terra, esse pequenino e inocente planeta, cumpriu a sua missão de girar e girou na sua translação ao redor do Sol, ou na sua revolução ao redor de si mesma, o que mantém essa pequenina parcela do cosmos em equilíbrio com o próprio universo. Os homens nasceram, os homens morreram, os homens se ajoelharam para plantar sementes, se ajoelharam para falar com as crianças, se ajoelharam para pedir perdão e se ajoelharam para sua própria execução. Os homens mataram e roubaram, mentiram e juraram e a maioria dos homens ficou falando de sua verdade particular, individual, do seu interesse próprio, mesquinho. A verdade está acima do homem que dirige e do homem dirigido. A verdade está acima do homem que sabe e do homem que não sabe. A verdade está acima da mulher que gera filhos e da mulher que mata a possibilidade de vida dentro de si. A verdade está acima dos interesses individuais. Ela é una, indivisível. É porque é. O que não é plenamente verdadeiro não é meia verdade. O que não é plenamente verdadeiro é plenamente falso. E os homens continuaram enganando-se, continuaram mentindo, continuaram prometendo. E continuaram analisando as atitudes que eles mesmos provocaram, tornando pior a vida neste último ano que vivemos. E justificaram seus erros promovendo novos erros, e foram injustos na sua justiça. Aperfeiçoaram máquinas, inventaram, parlamentaram, guerrearam para garantir energia para a geração futura que eles mesmos estão matando no ventre materno. Pelo temor do presente mataram adultos, pelo temor do futuro matam aqueles que deveriam nascer. Dois mil anos, três mil, quatro mil, cinco mil em termos de tempo cósmico, universal, esse tempo não é nada. Nosso tempo é muito curto, muito rápido, vertiginoso, veloz, ele passa… e passou. E nós não temos ainda plena ciência do que somos, de onde viemos e para onde estamos caminhando. Como poderá o ano novo ser bom se os homens promotores de infelicidade continuarem agindo da mesma maneira? Mas seja verdadeiro, realista, acredite você no que acreditar, vá fazer uma pesquisa na Rússia, nos Estados Unidos, na França, no Japão, na China, no Brasil e você sentirá uma angústia dentro de cada ser humano. Cada vez menos humano, cada vez menos indivíduo, cada vez menos gente. Porque, quer-nos parecer, que os homens que criaram sistemas políticos, perderam-se no meio do caminho, e o que é preciso, em termos de mundo, (e este grito é inútil e provavelmente se perderá no vazio), é recolocar o homem como meta prioritária. A lágrima da criança oriental é igual à lágrima da criança ocidental, e as lágrimas das duas são iguais a todas as lágrimas de todas as crianças do mundo porque são salgadas. E sangue é vermelho no mundo inteiro. Então o que é preciso para melhorar o amanhã de todas as pessoas, cuidando do presente das crianças de hoje. Como poderá o ano novo ser melhor? Feliz Ano Novo? Como o Ano Novo poderá ser melhor? Não se iluda, se os homens promotores de infelicidades continuarem agindo da mesma maneira! Ah! Mas há uma chance. Há uma possibilidade? Uma… Se você conseguir melhorar as condições de relacionamento neste seu pequeno mundo, o mundo inteiro ficará menos ruim, consequentemente, obviamente ficará melhor, porque você o melhorou no seu pequeno ou no seu grande círculo de relações. Experimente, tente. Afinal de contas essa vida é sua, é minha, é nossa, e ela passa tão rapidamente, tão veloz, de repente você não está mais, de repente você quer abrir os olhos e não abre mais! E você não fez nada, e você não viu nada, você não sentiu nada, você não melhorou nada. Como poderá o ano novo ser feliz se você não for feliz? Como poderá o ano novo ser melhor se você não for melhor? Que Deus nos ajude a todos para que possamos ser realmente verdadeiros, quando dissermos uns aos outros, Feliz Ano Novo! Feliz Ano Novo! Feliz Ano Novo”!logotipo do fundo do báu raffard

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