Marcel CapretzOpinião

Filosofia de futebol definida

01/08/2016

Filosofia de futebol definida

marcel-capretzARTIGO | Qual estilo de jogo você gostaria de ver seu time desempenhar daqui dois anos? Ofensivo com muita posse de bola? Ou um futebol com forte marcação saindo em fulminantes contra-ataques?
Não existe certo ou errado. E até o conceito de bonito é relativo. Não há beleza em uma marcação bem executada, por exemplo?
Fato é que o torcedor pode brincar de desejar um jeito de jogar. Mas dirigente de futebol que se preze não brinca em serviço. Ele decide uma filosofia de jogo, baseada na história e cultura do clube, conquistas passadas e projeção ideal do futuro e a partir de uma convicção concreta traça todo um planejamento, que passa pela contratação de técnico e jogadores que atendam o perfil desejado.
Entenda aqui, amigo, que não há relação direta com dinheiro. Porque o técnico argentino Tata Martino não se identificou com o Barcelona? Ou o italiano Fábio Capello no Real Madri? Faltava em ambos os casos verba para buscar os melhores jogadores? Não. Faltava um alinhamento entre o futebol praticado e o futebol desejado.
Aqui no Brasil são poucos os cases de sucesso e poucos os dirigentes que tem a capacidade de entender um trabalho a médio prazo. Se troca de filosofia de jogo como se troca de roupa. Nas primeiras turbulências, as convicções caem por terra e a direção do barco é alterada abruptamente.
Se o treinador que atua ofensivamente, valorizando a posse de bola e o jogo posicional não deu resultado rápido, troca-se por um que arma linhas defensivas compactas e aposta o ataque em passes longos e diretos. Oposto por oposto.
Sonho com dirigentes qualificados. Que desenhem um planejamento para dois, três anos, incluindo missão, valores e propósitos futebolísticos. Para que a partir disso, com uma convicção embasada por estudo e conhecimento, se contrate jogadores e o treinador. E que a direção permaneça a mesma. Independentemente de percalços iniciais.

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