J.R. Guedes de Oliveira

Igreja de São João Batista – 200 anos

Para se compreender, perfeitamente, o evoluir da história de Capivari, há necessidade de se recorrer, sempre, aos estudos e livros deixados pelos nossos historiadores maiores: Vinício Stein Campos, Antônio de Toledo Piza e J. Almeida Grellet.

Para descrever um acontecimento de maior envergadura, que seria a construção e efetivação da Igreja Matriz de São João Batista, temos que recorrer aos volumes i e III, da monumental obra do Prof. Vinício Stein Campos “O Menino de Capivari”.

No volume I, da referida obra, o insigne historiador e professor, descreve sobre A Construção da Matriz. Já no volume III, desenvolve, ele, o tema da A Paróquia de São João Batista. Ambas, por demais compreensivas ao que se pode imaginar o transcorrer do tempo e as etapas vencidas para a consolidação desse patrimônio que perdura por 200 anos.

Antes destes detalhes que o historiador trata nas referidas obras, há de se afirmar, com ele, o significado da igreja estar às costas da cidade. Não é isso que se deve pensar, pois que os nossos construtores da capela inicial, vinham pelo rio Capivari e fatalmente, a igreja olhando para tal caminho.

Cerca-se, entretanto, de algumas lendas: uma, que a Igreja estava olhando para Itu, pois que a origem era de descobridores e desbravadores vindos das terras ituanas. Outra, até, que a Igreja olhava para o Oriente, em homenagem aos “operários do Templo de Salomão” (homenagem á Maçonaria). Há, neste caso, alguns estudos de que existiam, no meio deste intrépidos homens, figuras adeptas da maçonaria ituana que, evidentemente, acabaram por influenciar tal projeto de construção.

Tudo inverídico, no nosso entender. Sabia-se que ali, onde está a Igreja Matriz de São João Batista, era cercada de um cemitério de escravos. Então, houve por bem, no arruamento, preservar o local, em respeito aos mortos e, pelo traçado, só se poderia abrir o espaço da maneira que ela hoje se encontra. Não se observara, assim, que a cidade iria se desenvolver do lado oposto do frontispício da Matriz.

Isto tudo se envolve, ainda, numa grande neblina, bem igual aos dos dias de junho, em pleno inverno capivariano. Parece-nos que neste 2020, a coisa se repete com o mesmo vigor, ao se notar já o aparecimento da “Flor de São João”.

Vamos, pois, ao que diz o Volume II, de O Menino de Capivari: no arruamento da povoação, o traçado ocorreu em 1825, já que, inicialmente, havia o projeto de construção da igreja onde hoje é a Praça Rodrigues de Abreu. Então, os Juízes Almotacés Antonio Pires de Almeida Moura e Joaquim da Costa Garcia, decidiram, pelo traçado, deixar uma gleba para o pátio e outra para a igreja. O pátio, contudo, ficaria às costas da parte frontal da referida igreja.

O que nos chama a atenção na exposição do volume III da obra do historiador Vinício Stein Campos é a descrição: “A partir de julho de 1820, o pequeno povoado, que se iniciara praticamente em 1815, contou com a assistência do Padre João Jacinto dos Serafins, 1º. Vigário da Capela de São João Batista, criada pelo Bispo D. Mateus de Abreu Pereira, aos 5 de junho de 1820”.

Como se pode observar desta descrição, temos que levar em conta que a comemoração do bicentenário da Igreja Matriz de São João Batista, de Capivari, deve recair nesta data. Salvo outras hipóteses, ficamos no aguardo de novos subsídios para que possamos ratificar ou retificar tal afirmativa. Até lá, salve a nossa Matriz de São João Batista e todos os seus prelados que sempre dignificaram as suas dogmas e enalteceram esta Igreja também de Pedro.

ARTIGO escrito por J. R. Guedes de Oliveira, ensaísta, biógrafo e historiador. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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