Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

Mãe escreve carta ao filho depois de morta

Não teria eu vivido em outro corpo ou em outra parte qualquer, antes de entrar no ventre da minha mãe? Santo Agostinho

Em todos os séculos encontramos pensadores e filósofos que mencionaram o renascimento na Terra, depois da morte do corpo, numa nova vestimenta física, para a progressão do espírito.

Sócrates, que viveu alguns séculos antes do Cristo, dizia: “Estou convencido de que vivemos novamente e que os vivos emergem dos que morreram e que as almas dos que morreram estão vivas”.

O filósofo e escritor francês Voltaire, junto com Montesquieu e Rousseau, foram os três nomes mais significativos do Iluminismo francês. A sua posição era contra o absolutismo e a favor da separação entre Igreja e Estado, quer dizer que ele foi um dos primeiros defensores da ideia de Estado laico. Mesmo ele não se surpreendia com a ideia da reencarnação, afirmando: “Nascer duas vezes não é mais surpreendente que nascer uma vez: tudo na natureza é ressurreição”.

A mãe do médium Chico Xavier, Maria João de Deus, era filha de uma escrava em Minas Gerais. Teve nove filhos e faleceu (1915) quando o médium tinha cinco anos; do Além, ela continuou a assistir com conselho o filho ainda criança.

O menino cresceu, conheceu o espiritismo e sua mãe então passou a escrever-lhe cartas, que ele mesmo psicografava. Essas diversas mensagens foram reunidas no livro Cartas de uma morta, publicado pela LAKE, onde ela relata que está habitando uma esfera espiritual de segunda categoria, depois da morte do corpo físico.

E diz ao filho, médium, pela psicografia: “Sinto-me rodeada de companheiros muito bondosos, com quem me entrego às tarefas. Aqui a nossa especialidade é examinar as preces dos seres terrenos. E onde habito temos possibilidade de conviver com alegria, podemos estudar e viajar, mas não deixamos de trabalhar na primeira esfera espiritual socorrendo espíritos em sofrimento”.

Assim ela se expressa sobre esse trabalho que realiza na primeira esfera, habitada por espíritos em sofrimento e desolação: “Em visita a alguns desses núcleos de prantos incontáveis e amaríssimos, encontrei alguns de meus antigos conhecidos na Terra”.

Saber que se está melhorzinho, que já tem alguma iluminação e poder socorrer alguns amigos que estão na pior é confortador, eleva a autoestima e a alegria de ser útil.

Vejamos o que a mãe do Chico informa desses antros de sofrimento: “São dolorosos os dias que ali pesadamente transcorrem. A essa região imediatamente vizinha da Terra frequentemente descemos para buscar irmãos nossos que suplicam e choram, implorando o socorro e o auxílio de Deus, pelo descuido do mundo íntimo”.

Por que descuido do mundo íntimo?

Em virtude de não se aplicar à moral e à dignidade, não cultivar bons sentimentos, se acomodar nos vícios ou manter pensamentos maldosos e egoístas, praticando atos infelizes que causam remorso, e sem aspirações na vida religiosa e de fé em Deus, o espírito acaba ficando algum tempo, que pode ser desde meses, anos, até séculos ali estacionados na dor, até que um dia melhore e busque se arrepender, implorando com humildade o amparo de Deus, que a ninguém nega socorro.

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