Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

Medo de quê? E Finados lembra o quê?

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA

Às vezes sentimos medo e isso é muito bom, podemos dizer que é benéfico, nos protege e ajuda a viver mais.
Você tem medo? Medo de quê?

Da morte, da velhice, da doença, da separação, de perder o emprego?

Quanto tempo temos aqui? Você se pergunta sobre essa imprecisão que é a vida corporal… Mas e depois, o que será? Você é terreno ou você é espiritual?

Um fator de força e fé, serenidade e equilíbrio, é desenvolver a espiritualidade. A crença em Deus, de que somos um ser espiritual, que mantemos nossa individualidade após a morte do físico, é um antídoto contra esse temor que afeta milhões de pessoas.

Existe o medo bom e o medo ruim. Como diferenciá-lo para nosso bem-estar, saúde e segurança?

De acordo com especialistas, devemos entender como medo normal todo aquele que vem do nosso instinto de autopreservação. Ele surge a partir do contato com algum estímulo físico ou mental que gera um alerta no organismo, e este dispara uma resposta fisiológica que libera os hormônios do estresse, como adrenalina e cortisol, preparando o indivíduo para o enfrentamento ou fuga. Alguns dizem que isso é herança da nossa ancestralidade.

Todas essas reações físicas são involuntárias e têm a finalidade de ajudar o indivíduo a sobreviver em uma situação perigosa.

A esse medo então chamamos de medo bom, pois ele nos mantém alertas e distantes dos perigos que podem nos prejudicar.

Já o medo ruim é todo tipo de medo que vem de distorções da percepção de mundo, ou de interpretações anômalas da realidade. Esse medo normalmente gera sintomas de ansiedade, pânico ou fobia que vão causar interferência direta na autoestima, no amor próprio e na autoconfiança.

Toda tensão nervosa, estresse e irritação é um curto-circuito de nossas forças mentais e orgânicas. E o medo ruim pode disparar esse estresse prolongado, que pode ser mortal para nosso corpo.

Surge então a busca pelo equilíbrio, e o autocontrole é fundamental.

Pesquisas mostram que quando não conseguimos nos controlar, podemos viver menos. Uma revisão de mais de 20 estudos revelou que as pessoas que são conscientes, organizadas e disciplinadas vivem entre 2 e 4 anos a mais do que aquelas que são desorganizadas, com uma rotina e lar caóticos. Isso pode ser atribuído ao fato de que indivíduos altamente conscientes são menos propensos a estressar-se com imprevistos, e vivem de forma mais estável.

E finados, lembra o quê? Finados é uma oportunidade para encarar nosso medo da morte, também para agradecer àqueles que nos trouxeram aqui, e pode ser ainda uma oportunidade para lembrar que a vida continua. Há muito relatos espirituais de que aqueles que estão do lado de lá temem muito o momento de voltar para cá, o momento da reencarnação – voltarão para um mundo de incertezas, lutas e perdas… Muitos espíritos não querem deixar a certeza de lá para voltar ao turbilhão que pode ser a vida aqui…

Como os objetos do medo podem ser relativos, não?

ARTIGO escrito por Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA
Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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