Leondenis Vendramim

Mentalidade inovadora

Meu professor Kumpel, teólogo, filósofo, poliglota, músico, pianista, datilógrafo – e só tinha sete dedos, dizia ironicamente que os alunos do curso intermediário são os mais sábios. Lecionei 58 anos, do pré-primário ao quarto ano da faculdade e acresço os alunos até o segundo ano da faculdade.

Já sabem tudo, não prestam atenção às aulas, são bagunceiros, e lá, no terceiro ano aprendem a aprender. Já tive alunos que se confessaram arrependidos e precisaram de esforço duplicado para recuperar o tempo.

Vivemos num mundo globalizado, num tempo de muita concorrência no mercado de trabalho, e se os pais e os próprios jovens almejam um emprego, ainda que seja o mais simples, precisam obter e praticar ferramentas como a Ética Profissional, a Inteligência Artificial, Internet das Coisas, a inteligência artificial, internet das coisas, a Inovação, que lhes dão a aptidão necessária para vencer essa disputa, cada vez mais acirrada.

Vamos nos ater à inovação. Inovação é a criação de soluções novas para problemas importantes; é usar ideias para solucionar, revelar valores e criar novos significados (RA 9/20, p. 2). Deus é o melhor e maior Inovador, sempre resolve nossos problemas de forma surpreendente, maravilhosa e inovadora. Sempre nos surpreende com novos matizes, novas criaturas, flores diversas.

Se um grupo de inventores criasse um mundo para os seres humanos, haveria muita semelhança ao nosso, muitas novidades, mas com certeza faltaria muito para ser perfeito, e não haveria vida – alguém pode dar vida a algo inanimado? Mas como diz Frans Johansson da Harward a intersecção de pessoas, culturas, conceitos, ideias e talentos cria um efeito inovador. Dizia um futurista que os homens de sucesso têm de quebrar paradigmas, isto é têm de inovar, inventar soluções.

Deus nos criou de forma espantosa! O cérebro é admirável com mais de um trilhão de células conectadas por mais de 100 bilhões de neurônios, que transmitem mensagens oriundas dos 5 órgãos do sentido, conduzindo para diferentes setores do cérebro. Aí processadas, levam respostas para o corpo, e apesar desse emaranhado de neurônios, não erram. Então, por que só alguns inovam se todos podemos fazê-lo?

Em 2019 escrevi que dentro de 5 anos conviveríamos com tecnologias e sistemas desconhecidos, e aí estão essas inovações e ferramentas, e quem quiser sobreviver no mercado de trabalho terá de se familiarizar com elas. Todos os cérebros humanos têm essas habilidades, não é privilégio de uma classe de pensadores cujo QI, ou, outra inteligência, esteja fermentando as indústrias, isto é, o produto do pensamento inovador, o que todos os seres humanos possuem.

Escreveu Daniel Bluneau: “…aprender a inovar é tão importante quanto aprender por que precisamos inovar. E, embora alguns indivíduos se destaquem por suas grandes ideias, a realidade é que todos nós podemos aprender a inovar e usar essa habilidade para solucionar problemas com os quais nos deparamos nos negócios, na vida e na missão” (Ibidem, p. 15).

Cientistas da Harward estudaram as tomografias cerebrais de pessoas empenhadas na invenção de objetos e notaram que elas ativaram várias regiões do cérebro ao mesmo tempo: imaginação, emoção, pensamento espontâneo, memória, a inspiração, a concentração, a curiosidade, o pensamento abstrato, a resolução de problemas, e estes são traços comuns a todos e são eles que estimulam a inovação, portanto todos os humanos conseguem inovar.

Albert Einstein, pai da física moderna escreveu: “O importante é não parar de questionar. A curiosidade tem sua própria razão para existência. Não podemos deixar de nos admirar ao contemplarmos os mistérios da eternidade, da vida, da maravilhosa estrutura da realidade… tentemos compreender um pouco desse mistério a cada dia.

Que nunca percamos a sagrada curiosidade”. (L.Esc. Sab, 25/11/20, p. 114). Todas as ciências têm enigmas e Deus nos criou curiosos a fim de buscarmos os por quês, ou seja, as inspirações para inovações. A Palavra de Deus é a Fonte onde podemos nos inspirar para buscarmos soluções para os problemas científicos, morais e físicos.

Um campo inexaurível para fortalecer nossa capacidade cerebral de criar e inovar. Deus nos aconselha: “não vos conformeis com este mundo, mas transformais-vos pela renovação da vossa mente…” (Rom 12:2). Esta é a vontade do nosso Criador.

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Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

ARTIGO escrito por Leondenis Vendramim, professor de Filosofia, Ética e História. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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