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Modismo barato no futebol brasileiro

Marcel Capretz, colunista esportivo

Ter convicção no que se faz é imprescindível para o sucesso. Em qualquer área de vida. Acreditar nas próprias ideias e na própria capacidade faz que o futuro desejado saia de um mero sonho para se tornar algo tangível. E convicção não é teimosia. Se algo não vai bem vale fazer ajustes para corrigir a rota. Mas sempre com uma identidade, com valores claros e muito bem definidos.

Transportando esses conceitos para o mundo do futebol quando pensamos na identidade de um clube, evidentemente, pensamos na maneira de jogar. Como vamos ganhar partidas e campeonatos? Com quais ideias, com qual filosofia de jogo? Quem vai ser o responsável por conduzir esse processo, no caso o treinador? Ele está alinhado com os conceitos específicos que trouxeram o clube até o seu estado atual?

No Brasil, raramente há essa análise. Dirigentes amadores pensam primeiramente no estofo, no currículo, na bagagem de um treinador. É muito mais cômodo colocar alguém com as costas largas no comando. Caso algo dê errado, a torcida cobra o técnico medalhão, pensam esses dirigentes. E mais do que a falta de uma diretriz de jogo há um modismo que me incomoda demais. De uma maneira simplista e rasa, tentam copiar o que deu certo em outros clubes. Sem avaliar circunstâncias e contextos que no futebol de alto nível é o que realmente faz a diferença.

Tivemos a era dos ‘interinos-efetivados’, quando Fábio Carille surgiu no Corinthians com títulos em 2017. Só que no ano seguinte, foi o ‘old-school’ Felipão que empolgou o país com o seu Palmeiras. Voltaram então alguns nomes mais experientes. E neste ano com o argentino Jorge Sampaoli enchendo os olhos com o seu envolvente Santos há uma tendência de técnicos estrangeiros ganharem espaço no mercado nacional.

Sucesso é construído nos detalhes. Nas minúcias. Em algo tão complexo como o futebol replicar modelos te afasta, ao invés de te aproximar, de vitórias. O que continuará fazendo a diferença é o entendimento do ambiente, a convicção na forma de jogar, nas ideias, na filosofia por trás do jogo. Escolher técnico com base no triunfo alheio é um tiro no próprio pé.

ARTIGO escrito por Marcel Capretz
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