Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

Morte é Natal – Toninha da Igreja e o professor Leondenis

“Nunca houve no mundo duas opiniões iguais, nem dois fios de cabelo ou grãos. A qualidade mais universal é a diversidade… O homem não é tão ferido pelo que acontece, e sim por sua opinião sobre o que acontece…”
Michel de Montaigne (1533-1592), escritor, jurista e filósofo francês

As teologias disseminaram as multiplicidades de conceitos, e a verdade, como um espelho, se espatifou; cada um agora guarda a sua verdade verdadeira. Sinto que muitos querem usar o Velho Testamento para justificar suas crenças, esquecidos de que Jesus deu nova interpretação e vivência aos escritos antigos.

Eu me encantei no sábado com o texto de Anita Trindade, no jornal Correio de Capivari, sobre Toninha da Igreja São João Batista. Ela começa escrevendo como se fosse a Toninha, que chega (em espírito) na igreja para o velório do próprio corpo. De forma interessante, descreve que lá a aguardam a irmã e os padres Adalton, Cido, Marcelo e Matheus, dentro da tradição católica para encomendar o seu corpo.

Me emocionei com essa descrição: “Meu corpo frente ao altar, coberto de rosas vermelhas, minhas preferidas, e muitas coroas de flores – adoro flores”. Ali o corpo físico esgotado e ela em corpo espiritual assistindo a tudo. Morte é Natal, nascimento junto daqueles que nos antecederam nessa jornada e que vêm nos acolher.

Paulo de Tarso, o mais conhecido e estudado discípulo de Jesus, pregava que: “Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual” (1 Coríntios 15:44).

Em nosso jornal O Semanário, também me emocionei lendo o texto do professor Vendramim, tratando da questão “A morte”; afirma que nem os vivos nem os mortos sabem nada desse “violentíssimo coice na testa”. Eu ainda não tomei esse coice, mas já caí do cavalo e levei um pisão em meus dedos, quando levava os netos a passear de pônei.

O bom articulista vai descrevendo esse golpe, que levou algumas vezes, com a morte do pai, do irmão, que foram doídas, mas “quando perdi minha mãe senti-me sem chão, sem pernas”. E confessa que apesar dos 85 anos ainda sente “falta do seu amor, falta de ver aquela mulher tão linda, tão querida”.

Leondenis conta que em dezembro perdeu a irmã Luiza, carinhosamente chamada de “Tute”, com quem “desabafava minhas perdas, contava os meus sonhos com minha mãe” (já falecida). “Tute”, conta o professor, era uma enciclopédia de histórias; “fiquei órfão de mãe duas vezes, pois era minha irmã, e também minha mãe, meu amor”. E finaliza sabiamente que “ninguém sabe o que é a morte, a não ser aqueles que realmente amam”.

Entre os 700 livros que editei pela EME, um deles é de cartas consoladoras dos que passaram para lá, saíram dos corpos e não saíram da vida, e voltaram (em espírito) para contar como é essa vida.

Nessa obra, entre outras comunicações familiares, temos a da jovem arquiteta Egle (falecida aos 23 anos), que retorna e diz a seu viúvo: “Desejo ver o nosso Roberto plenamente livre para reassumir os seus propósitos de erguer um lar e ser feliz dentro dele. A vovó Hebe e a vovó Clementina (já falecidas) foram minhas instrutoras nos meses últimos e fizeram-me reconhecer que o amor só é realmente amor quando liberta a pessoa amada”. (1)

(1) Emmanuel e diversos autores, médium Chico Xavier – Correio do Além – Editora EME e CEU.
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