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‘Nossa vida gira em torno da Copa’, diz administradora cujo amor bateu na porta

23/06/2014

‘Nossa vida gira em torno da Copa’, diz  administradora cujo amor bateu na porta

O construtor José Bernardes Siebre, 50, foi à casa de Luciana, 39, após ler seu nome num currículo; história de amor é marcada por jogos do Brasil
Em 2014, Luciana e José vão torcer ao lado dos filhos, Israel e Iran Bernardes Siebre (Foto: Laila Braghero/O Semanário)
Em 2014, Luciana e José vão torcer ao lado dos filhos, Israel e Iran Bernardes Siebre (Foto: Laila Braghero/O Semanário)

RAFARD – Quando a administradora Luciana Soares de Lima Siebre, 39, enviou seu currículo a uma empresa de Capivari, o construtor José Bernardes Siebre, 50, viu no documento a oportunidade de finalmente conversar com a rafardense que ele admirava há tempos sem que ela percebesse. Isso porque, até então, o endereço era a única coisa que ele sabia sobre a moça.

No dia 8 de julho de 1999, depois de longos meses em frente à casa de Luciana contando com a sorte de vê-la sair para ir à padaria, por exemplo, o paranaense, agora com o nome da amada gravado na memória após bisbilhotar o currículo alheio, resolveu bater na porta daquela que seria sua esposa. “Ele apareceu na porta da minha casa, disse que já me conhecia, mas eu não sabia quem ele era.”

“A gente pode conversar?”, perguntou Siebre. “Claro, sem problemas.” E no carro do rapaz (corajosa) os dois trocaram algumas palavras e marcaram um encontro para dois dias depois, no domingo. Enquanto assistiam filme no cinema, o Brasil vencia um amistoso contra a Argentina por 2 a 1, em Ciudad del Este (Paraguai). A data carimbou o início do namoro – ou do noivado, segundo Siebre – entre os dois. Assim começava uma história de amor e futebol.

As alianças foram trocadas dia 1º de julho de 2006, às 17h, mesmo horário da partida pelas quartas de final da Copa do Mundo entre Brasil e França. “Meu pai não queria que eu marcasse nessa data. ‘Pelo amor de Deus, na hora do jogo?’, ele dizia. Todo mundo estava no casamento, mas com a cabeça lá fora”, lembra Luciana. “O motorista que me levou até a Matriz ficou escutando o confronto entre os países e informando os coroinhas e a todos sobre o que acontecia.”

Ela conta que entrou na igreja ao som de uma queima de fogos de artifício – em incentivo à seleção brasileira. A cerimônia aconteceu de portas fechadas (para ninguém fugir à procura da televisão mais próxima, suponho) e foi realizada pelo diácono Genival, porque o padre Luiz Carlos Caroni, então pároco da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Rafard, não pôde estar presente (por que será?).

E a Canarinho perdeu de 1 a 0. “Choveu muito naquele dia, fez frio. Capivari estava calma e uma tristeza que só”, recorda. A festa aconteceu num salão naquela cidade e, segundo Luciana, os convidados a culpam até hoje pelo resultado. “Nossa, já me atormentaram tanto por causa disso”, afirma a administradora. “Até a moça que me arrumou ficou com a tevê ligada para não perder a partida.”

Azar no jogo, sorte no amor. Este ano, em que a abertura da Copa caiu no Dia dos Namorados, o casal enfeitou a casa com bandeirinhas para curtir o Mundial com os filhos. “Eles estão animados porque vão acompanhar os jogos ao lado do avô”, diz Luciana. Israel, 7, nasceu no mesmo ano do casamento, quando o campeonato foi disputado na Alemanha. Na Copa de 2010, sediada na África do Sul, o casal comemorou a vinda de Iran, 4, dando continuidade à série de acasos.

“São coincidências legais que fazem parte da nossa história de namoro, casamento e Copa do Mundo. Não foi nada programado”, comenta o palmeirense José Bernardes Siebre. Enamorado por uma “corintiana roxa”, perdeu os filhos para o outro lado. “Eles são corintianos roxos também”, assegura Luciana.

Questionado sobre a possibilidade de conciliar amor e futebol, o construtor declara que sim, pois “é uma paixão nacional”. “Esses dias mesmo meu marido falou ‘nossa, Lú, eu lutei tanto, fiquei na espreita, esperei… quando eu ia imaginar que você conversaria comigo?’ E aconteceu. Não tem explicação.”

Sobre a Copa de 2014, Luciana diz que o povo precisa desejar o melhor à seleção brasileira e, principalmente aos estrangeiros que estão no país. “Mudança a gente faz na urna. Não adianta quebra-quebra, porque quem paga somos nós mesmos. É com amor que a gente muda e se transforma. Então, que seja uma Copa de paz.” E, em relação ao casal, a amada de Siebre define: “Nossa vida gira em torno da Copa”.

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