Leondenis Vendramim

Novo Testamento: Língua

É geralmente reconhecido, que os escritores usaram a língua grega koiné para os 27 livros e cartas do Novo Testamento. Era a linguagem do povo comum, e diferia muito do grego clássico usado pelos mais eruditos.

Como estes elitizados, do século 17, notaram a diferença marcante entre a gramática, em especial a sintaxe grega e a bíblica, levantaram feroz batalha contra a sua veracidade, esqueceram, naturalmente, a diferença entre o grego popular aplicado pelos escritores da Palavra de Deus e o clássico, muito comum na Europa nesse tempo entre os filósofos e nos trabalhos acadêmicos. Com a expansão do império alexandrino, no século 4, a cultura grega foi muito divulgada e sua língua amplamente falada. A corte romana continuou com a latina, os judeus com a aramaica e o povo com a grega koiné.

No tempo de Jesus, era comum expressarem em qualquer dessas línguas com ideias multiculturais. A Corte publicava os documentos nas três línguas, por isso, Pilatos mandou escrever e colocar a escrita trilíngue sobre a cruz de Cristo: grega, latina e aramaica. Esta prática também era usada para a emissão de selos pelos judeus.
Do século 3 a.C. ao 1 d.C. ocorreu a tradução da Bíblia hebraica para o grego, em etapas, na cultíssima Alexandria, Egito, ordenada pelo rei Ptolomeu 2, e feita por 72 sábios judeus (6 eruditos de cada uma das 12 tribos judaicas) conhecida por Septuaginta. Era uma tradução do Velho Testamento para facilitar o seu acesso aos judeus da diáspora e aos que não falavam o aramaico.

Os escritores do N.T. eram judeus, mas tinham pleno conhecimento do grego, no entanto, pensavam como judeus, o N.T. é quase uma citação e comentário do V.T. da Septuaginta. Quando Jesus diz “Examinai as Escrituras” (João 5:39), queria dizer: estudem o V.T. Não havia, ainda, nenhuma produção literária do N.T. quando os discípulos de Jesus escreveram os livros e cartas que o compuseram, fizeram em grego, mas o seu pensamento era aramaico, porque eram judeus. Por isso há muitas expressões aramaicas. Quando João, Tiago e sua mãe pediram a Jesus assentar-se ao lado de Jesus, pensavam como os fariseus. (Marc. 10:15:45) Ao Jesus falar de Sua morte, não entendiam, pois os judeus esperavam por um Messias, que os libertasse dos romanos, e Se tornasse rei de Israel. (Luc. 9:44-45) 29

Quando lemos a Bíblia devemos lembrar que nenhuma tradução pode refletir perfeitamente os pensamentos, sentimentos e nuances de autores expressando na sua língua original, aramaica e grega antiga (Koiné), sob inspiração do Espírito Santo. Ao encontrar alguma passagem obscura, ambígua, difícil de entender, cujo sentido não parece corresponder ao original, deve recorrer aos outros livros e escritores bíblicos que comentam tais passagens. Jesus, Paulo e os demais escritores do N.T, citam muito o V.T. O idioma é dinâmico, com o tempo e uso, algumas palavras ficam arcaicas, em desuso, mudam o seu significado. O N.T. foi escrito para o povo daquele tempo por discípulos com pensamento hebraico, é necessária uma Bíblia atualizada.

A pedido do Papa Dâmaso 1, o Pe. Jerônimo traduziu de 396 a 406 d.C., o N.T da Septuaginta (grega) e o V.T. do hebraico a Versão Vulgata Latina, que apesar de sofrer muitas correções, foi e tem sido muito criticada, desde Agostinho. Jerônimo incluiu vários livros não encontrados no original hebraico, considerados não inspirados pelos protestantes.

Em 1330 John Wycliffe traduziu a Bíblia para o inglês colocando-a ao alcance do povo comum, por isso perseguido pelos padres e, após sua morte, foi desenterrado e queimado, suas cinzas jogadas no rio Tâmisa.

No castelo de Wartburg, escondido da perseguição católica, Martinho Lutero traduziu o N. T., para o alemão no mês de setembro de 1522, e o V.T. em 1534 com a colaboração de professores de teologia de Wittenberg.
Casiodoro de Reina fez uma tradução original, em 1569, e Cipriano de Valera revisou-a em 1602. O rei britânico encomendou e em 1611, a Bíblia King James Version surgiu da combinação das traduções anteriores de Wycliffe e William Tyndale.

A tradução de João Ferreira de Almeida, de 1681, é a mais antiga da língua portuguesa. Todas as versões protestantes têm 66 livros, enquanto as católicas trazem os 66 livros mais 7 e alguns capítulos adicionados ao livro de Daniel, que só são aceitos com o “Imprimatur” papal.

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