Marcel Capretz

O peso de Jorge Jesus no Flamengo

Marcel Capretz

As funções de um treinador vão muito além de simplesmente treinar e escalar uma equipe. Em estruturas menores e sem muitos recursos, atividades como planejar a logística das viagens, definir situações sobre entrevistas e até mesmo cuidar dos uniformes e materiais de treino e de jogo são algumas das atribuições do técnico. Com mais recursos, há outras pessoas para cuidar desses detalhes extra-campo.

Mas não pense você que mesmo com todo o dinheiro do mundo disponível as tarefas do treinador são diminutas. Basta vermos a interferência gigantescamente positiva que o português Jorge Jesus teve no Flamengo, time mais rico do Brasil.

Um clube de futebol é como um sistema. Algo que tem cem por cento de possibilidade de operar em excelência. O bom treinador, que é de fato o condutor desse sistema, é aquele que age diretamente em todas as partes que compõe esse grande todo, fazendo-as trabalhar o mais perto possível da potencialidade máxima. Por exemplo, de nada adianta dar a um técnico uma estrutura com fisiologistas, psicólogos, analistas de desempenho, se ele não souber como fazer essas áreas auxiliarem no processo de conquista de vitórias.

Jorge Jesus mostrou em poucos meses o quanto tem de capacidade e competência para fazer a máquina Flamengo operar em excelência. Sua metodologia de treino, suas ideias de jogo, relações interpessoais com jogadores e dirigentes, habilidades de comunicação com o torcedor, são só alguns elementos – talvez os mais aparentes – de um trabalho que levou o Flamengo a um patamar que só o dinheiro não leva. É necessário muito conhecimento para fazer esse dinheiro se converter em troféus na sede do clube.

Não quero entrar no mérito se o que Jorge Jesus ganha ou ganhará em possível novo contrato é muito ou pouco. Mas ele mostrou ser o profissional com as reais habilidades capazes de potencializar o que o Flamengo tem de melhor. Para mim, vale cada centavo que recebe. Até porque com tudo funcionando em perfeitas condições o salário de um treinador passa a ser irrisório perto do montante que o clube pode faturar.

ARTIGO escrito por Marcel Capretz
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