Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

O suicídio, a doença e a tentação

A calma e a resignação, obtidas pela maneira de encarar a vida terrestre e pela fé no futuro, dão ao espírito uma serenidade que é a melhor proteção contra a loucura e o suicídio. Allan Kardec (1)

A maioria, para não dizer a totalidade dos suicídios, é praticada pelas pessoas que não conseguiram despertar em si a fé – tanto em si mesmas quanto, e principalmente, num Poder Superior, e numa vida além da matéria. Vencer a tentação, em toda a história humana, sempre foi um dos grandes desafios, surgindo ela em diversos lugares e em momentos inesperados, aproveitando-se de nossas fraquezas emocionais e morais, aliadas às doenças psiquiátricas e às obsessões.

Estudos de especialistas afirmam que as três principais causas de morte entre os jovens nas Américas são evitáveis. Os homicídios são os “principais assassinos”, sendo responsáveis por 24% de toda a mortalidade, seguidos pelas mortes no trânsito (20%) e pelo suicídio (7%).

Suicídio é o ato intencional de matar a si mesmo. Em crise, o indivíduo imagina se libertar de um sofrimento insuportável para ele, tirando a vida do corpo, sem saber que a alma é imortal.

Em São Paulo onde residia com os pais, Renata Zaccaro Queiroz, sem problemas aparentes para a família, cometeu suicídio.

Não há palavras consoladoras diante da situação de suicídio de uma jovem de apenas 18 anos, quando os pais e familiares vivem um sofrimento permanente por longos dias, e a ajuda de especialistas é necessária. Entretanto, após o ocorrido, essa família buscou ajuda com o médium Chico Xavier.

Uma carta da jovem desencarnada trouxe o alento que os pais buscavam depois de 200 dias decorridos daquela tragédia.

“Ainda não sei que força me tomou naquela quarta-feira. / Tive a ideia de que uma ventania me abraçava e me atirava fora pela janela. / (…) Obedecia maquinalmente àquela voz que me ordenava projetar-me no vácuo. / Quis recuar, mudar o sentido da situação, não consegui. / (…) O que sei é que agi na condição de uma rã que uma serpente atraísse…” (2)

O médico Elias Barbosa, organizador do livro, faz um comentário da tentação sofrida pela jovem por espíritos perturbadores. “Eis a prova inconcussa do assédio de nossos irmãos chamados obsessores à presa de hoje, detentora de reflexos condicionados favorecedores do ato autoeliminatório, alimentados pela culpa, na maioria das vezes, inconsciente”. (2)

A serenidade é o medicamento receitado pelo mentor de Chico Xavier: “E o único remédio que conhecemos até agora contra semelhantes calamidades, a ser usado em favor das vítimas possíveis do suicídio ou em auxílio daqueles que o provocam, é a prática da compreensão e do amor, na embalagem da paciência”. (3)

1) Allan Kardec – O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V – Editora EME.
2) Elias Barbosa, Francisco Cândido Xavier, Espíritos diversos, Editora IDE.
3) Emmanuel, Francisco Cândido Xavier, Paciência – Editora CEU.

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