J.R. Guedes de Oliveira

O velho campo do Capivariano

Escritor J.R. Guedes de Oliveira (Foto: Divulgação)

O velho campo do Capivariano Futebol Clube, honrosamente denominado “Estádio Municipal Fernando de Marco“, já centenário de sua existência como equipe de futebol, lá pelas bandas da Estação da Sorocabana, desativado para jogos, guarda, em seu gramado, suas arquibancadas, o seu entorno e grandes embates, histórias das mais fascinantes.

Só para recordar (coisa de mais de 60 anos pretéritos) sobre a arquibancada, esta ficava ao lado esquerdo do campo, no sentido da entrada principal (aliás, a única). Era tudo de madeira, coberto e, embaixo, os vestiários, de onde saiam as equipes para o gramado. Era uma construção bem simples, com quatro ou cinco degraus, repito, coberto e que dali se tinha uma ampla visão de todo o campo. Aos sábados ou domingos, as grandes partidas que movimentavam a velha Capivari.

O chamado “Leão da Sorocabana” fazia urra em seus jogos e, no passar dos anos, sempre foi temido pela sua forma de jogar compacta, objetiva e, acima de tudo, contando com verdadeiros astros do tão cultuado “esporte bretão”.

Na minha juventude por lá assisti treinos e jogos, principalmente da liga inter-municipal. Vi jogadores expressivos que, dali, saíram para conquistar o mundo ou mesmo galgados ao futebol brasileiro de primeira linha, ou melhor, da divisão especial.

Mas o que me leva neste momento a contar uma das histórias desse campo, penso que seja uma lenda. Mas é sempre interessante escrever, até porque enche mais ainda de curiosidade do esporte em Capivari.
Pois bem. A frente da entrada principal do campo era formada de casa do lado direito e do lado esquerdo. No outro lado do campo, o rio Capivari, que corta em quase toda extensão da área.

Conta-se que há muito tempo havia um portão grande na referida entrada, com a cobrança de ingressos por uma ou duas pessoas. Isto preocupava muito, pois que, na aglomeração de torcedores, sempre havia aqueles que passavam sem pagar nada.

Determinou-se assim a diretoria do Capivariano em reformar este portão, instalando dentro desse, um pequeno portão, suficiente para passar uma pessoa apenas de cada vez. Ficaria mais fácil a cobrança e o controle de quem realmente pagou, até porque era necessário para a parte que se destinava a FPF – Federação Paulista de Futebol. E como curiosidade, vale-me dizer de que o primeiro árbitro da Federação Paulista de Futebol, segundo registros, é um capivariano.

A lenda diz que a intenção também era outra e isso sempre foi motivo de especulações. Consistia no seguinte: quando o Capivariano ganhava um jogo, o portão grande se abria de todo, para a saída dos torcedores; Quando o Capivariano perdia, então se abria apenas o pequeno portão, dando passagem para um torcedor de cada vez.

Assim, os que de fora ficavam, iam identificando os torcedores visitantes e os “sopapos” se iniciavam com gritarias e ofensas das mais diversas. Nestas algazarras, é claro, nunca faltavam lembrar das mães, principalmente dos juízes e dos bandeirinhas. Mas isto era contado de forma anedótica, pois que os torcedores visitantes não tinham por onde sair, a não ser por este portão e ou portãozinho.

Tudo isso não passa de lenda, transmitida por torcedores fanáticos do Capivariano Futebol Clube. Estas pequenas e interessantes anotações são sempre apetitosas para os momentos de descontração. É o que me permite o momento.

ARTIGO escrito por J. R. Guedes de Oliveira, ensaísta, biógrafo e historiador. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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