Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

O vice-presidente, o câncer e a dor-auxílio

Corrijamos a nós mesmos, antes que o mundo nos corrija. Chico Xavier

Encaremos a vida no dia a dia com coragem, entendendo que o suor que perdemos hoje pode significa uma vitória amanhã. Diante das dificuldades emocionais e físicas que apareçam, tenhamos otimismo, confiantes de que representam lições de aperfeiçoamento moral.

O ex-vice-presidente da República José Alencar Gomes da Silva (1931-2011), empresário e também político, enfrentou uma luta contra tumores, luta que começou em 1997; durante quase 14 anos, ele sofreu 17 cirurgias, perdeu um rim, 2/3 do estômago e parte dos intestinos – continuou lutando, e com fé.

Quando, na via-sacra do tratamento médico, buscando ajuda espiritual, Alencar deixou a religião católica e se converteu a uma igreja evangélica em busca da recuperação da saúde, obteve melhoras, mas faleceu no mês de março de 2011, aos 79 anos, devido ao câncer e à falência múltipla dos órgãos.

Parte da população brasileira, independente de facção política, fez prece pela sua recuperação. Dentre tantas considerações, lemos: “Esse é um lutador e guerreiro, está sofrendo, mas em nome de Jesus Cristo ele vai vencer”.

Sim, se não aqui na Terra, na Vida Espiritual, ele vai vencer; a dor é um instrumento de Deus para nosso aperfeiçoamento.

Não é castigo, é uma bênção, porque às vezes introduzimos em nosso corpo e mente substâncias indesejáveis para a saúde, por liberdade de escolha nossa. A doença prolongada é a dor-auxílio que nos beneficia a alma.

Muitas vezes nos tornamos escravos de hábitos ou substâncias; não basta oração, simpatia, novena – é necessário atitude e fazer a reforma íntima de deixar os maus hábitos e conquistar virtudes, como abstinência de cigarro, álcool, outras drogas; comedimento na alimentação, exercício físico, sono necessário; fé e esperança no futuro (crendo em Deus e que somos imortais pelo espírito), prática da fraternidade e da honestidade.

José Alencar concedeu uma entrevista à revista Veja em 09.09.2006, onde pontuava sua transformação e fé, com humildade e resignação:

O senhor tem medo da morte?

“Estou preparado para a morte como nunca estive nos últimos tempos. A morte para mim hoje seria um prêmio. Tornei-me uma pessoa muito melhor. Isso não significa que tenha desistido de lutar pela vida. A luta é um princípio cristão, inclusive. Vivo dia após dia de forma plena. Até porque nem o melhor médico do mundo é capaz de prever o dia da morte de seu paciente. Isso cabe a Deus, exclusivamente.”

O senhor se deu conta da comoção nacional que tem provocado?

“Não há fortuna no mundo capaz de retribuir o carinho dos brasileiros. Sou um privilegiado. Você não imagina a quantidade de manifestações afetuosas que tenho recebido.

“Um dia desses me disseram que, ao morrer, iria encontrar meu pai, falecido há mais de cinquenta anos. Aquilo me emocionou profundamente. Se for para me encontrar com mamãe e papai, quero morrer agora. A esperança de encontrar pessoas queridas é um alento muito grande – e uma grande razão para não ter medo do momento da morte.”

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