J.R. Guedes de Oliveira

Olga Zumbano x Romeu dos Bonecos

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Foto enviada pelo colunista

Na década de 50, os circos que chegavam em Capivari, se instalavam onde, hoje, é a Estação Rodoviária, na Rua Sinharinha Frota, com a Rua Regente Feijó.

Um desses circos, se não me engano Circo-Teatro Chile ou Circo- Teatro Astúrias, em sua noite de gala, num domingo, apresentou a famosa Olga Zumbano, a “Rainha do Ringue”, tia do grande Eder Jofre.

A luta-livre, tinha, como oponente a Olga Zumbano, uma outra lutadora de fama nacional. Não recordo o nome, mas parece que se chamava “Alice”. Alguns “rondes” e a vitória indiscutível da Olga que, em tom e forma de desafio, mostrava no centro do circo, no ringue, a sua força, musculatura e agilidade que a consagrara.

Ocorreu que ela, com voz alta e imponente, perguntou se havia algum homem na plateia, no sentido de desejar uma luta para um próximo domingo. E ninguém se habilitou a desafiá-la, a não ser um que lá da plateia levantou a mão.

Era, nada mais, nada menos, que o Romeu dos Bonecos (Romeu Pedroso, indaiatubano de nascimento, mas capivariano de coração). Magro, quase que esquelético, foi convidado a se chegar no ringue, se apresentando como desafiador da famosa “Rainha do Ringue”. Foram só risos e mais risos, de todos os cantos, principalmente vendo que o tal do Romeu sumia perto da Olga que, gostosamente, também ria sem parar.

Então marcaram data da luta para o próximo domingo e tudo o mais. A plateia não se cansava de rir…rir… gostosamente e gargalhadas sem fim. Foi nesse ínterim que Romeu retirou um pedaço de ferro do bolso, algo de uns 15 centímetros, o dobro de grossura de um dedo indicador e desejou fazer presente à lutadora.

– Quero fazer um presente a lutadora Olga, com uma pulseira com este ferro. – disse-lhe e tudo foi ouvido pela plateia.

Assim que disse, com as próprias mãos, envergou o tal pequeno, mas grosso ferro, em forma de argola, para enfeitar o punho da lutadora. Não se imagina os olhos arregalados da Olga, ao ver aquilo tudo, em espanto, mas não desistiu de marcar a próxima exibição, que seria o ponto alto do circo.

O público delirou tal a façanha empreendida pelo tal de Romeu dos Bonecos. Coisa de força descomunal, diziam. Uma força descomunal! – outros diziam.

Tudo não passou de mais um truque ou coisa parecida do Romeu dos Bonecos, que, sempre, com sua inteligência privilegiada, fazia coisas mirabolantes. Tanto foi que, no outro domingo, após o fato, nem no circo ele apareceu. A Olga, por certo, nem aceitaria um combate corpo-a-corpo, com o seu medo de aniquilar com a vida do miudinho Romeu dos Bonecos.

Não se pode imaginar, hoje, o que correu por Capivari toda a tal demonstração do Romeu, dos Bonecos “Justo e Soneca”, na ventriloquia de um artista nato, como ele bem era.

ARTIGO escrito por J. R. Guedes de Oliveira, ensaísta, biógrafo e historiador. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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