Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

Morte sem velório

Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA
Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA

Para a doença covid-19, alguns médicos estudam e propõem a seus pacientes um protocolo de tratamento que pode sustar a enfermidade, quando aplicado no início dos sintomas, se o médico prescrever e o paciente aceitar. Esse método vem sendo aplicada com relativo sucesso na cidade de Porto Feliz, pelo prefeito e médico doutor Cássio Habice Prado. Ver depoimento: www.instagram.com/tv/CATt9eOHGIS/?igshid=1ksjxyhuvbyyq

É ainda um protocolo em fase de testes. Também não temos uma vacina capaz de prevenir a doença. A reação ao contágio depende muito do estado imunológico do paciente, e os médicos que trabalham na área dizem que o vírus é um grande mistério: “um ser invisível com poderes que desconhecemos”; mas, contando com as experiências de outros países, começa a ser desvendado como o vírus age.

A covid-19 não é uma doença rara, existe uma série de outras doenças sobre as quais médicos e especialistas se debruçam e tentam diversas maneiras e alternativas, e para as quais também não se conseguiu a cura ou a prevenção.

O pensamento determinado de buscar um medicamento deve nortear a vida desses cientistas e pesquisadores – nada de desgosto nem de desânimo. Se ainda não deu certo, se fracassou, é preciso recomeçar: a cada dia se está mais perto da descoberta, porque também erra quem deixa de tentar de alguma maneira.

Entretanto, diante daqueles que não sobreviveram à contaminação, um trauma ainda tenaz atinge as famílias: no luto relacionado à morte pela covid-19, pelo risco de contaminação algumas etapas milenares que seriam fundamentais no processo de aceitação da perda do ente querido foram suprimidas, como o velório antes do sepultamento.

Sem acompanhar o doente em seus últimos dias no hospital, sem velório, e com sepultamento rápido com poucos familiares, à distância e com caixão lacrado, fica difícil a família sentir que se despede do familiar.

Diz a médica Ana Cláudia Quintana Arantes (pós-graduada em Psicologia e Intervenções em Luto) que a “morte pela covid-19 é uma morte afetivamente desamparada. Do lado da vítima, que até bem pouco tempo antes não tinha nenhuma perspectiva imediata de morte, não há ninguém para segurar a mão”.

Sim. Ninguém para segurar a mão desses familiares, e também não a dos enfermeiros nem dos médicos que estão na linha de frente… Porém, na outra dimensão, existe uma equipe que prepara o retorno à vida verdadeira.

No livro Obreiros da vida eterna, o escritor e médico (agora na espiritualidade) que assina com o pseudônimo André Luiz descreve o retorno à vida espiritual de cinco pessoas, ao lado de outro médico do plano espiritual, especialista em desligamento do corpo físico, o doutor Jerônimo, que se fazia acompanhar do padre Hipólito e da enfermeira Luciana.

Na introdução da obra, encontramos essas palavras de um ex-padre, Emmanuel (fundador da cidade de São Paulo): “O espiritismo começou o inapreciável trabalho de positivar a continuação da vida além da morte, fenômeno natural do caminho de ascensão. Esferas múltiplas de atividade espiritual interpenetram-se nos diversos setores da existência. A morte não extingue a colaboração amiga, o amparo mútuo, a intercessão confortadora, o serviço evolutivo. As dimensões vibratórias do Universo são infinitas, como infinitos são os mundos que povoam a Imensidade. Ninguém morre. O aperfeiçoamento prossegue em toda parte”.

ARTIGO escrito por Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo é especialista em dependência química pela USP/SP-GREA. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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