Rubinho de Souza

Romeu dos Bonecos – Primeira Parte

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Por Arnaldo Forti Battagin

Estimulado pela curiosidade de minha amiga Euzemira Magda Pinto Villares, a quem trato carinhosamente como Magda Ferrari pela sua ascendência materna dos Ferrari, de Rafard/SP, decidi investigar sobre o Romeu dos Bonecos , que com nostalgia, me lembro ainda criança de suas apresentações em Capivari no final dos anos 50 e início dos anos 60 do século passado.

Descubro que seu nome era Romeu Rodrigues Pedroso, nascido em Indaiatuba-SP em 01/03/1923, filho de Simão Rodrigues Pedroso e Benedita Rodrigues e se radicou em Capivari ainda jovem.

Casou-se em 1950 com moça capivariana, Odete Aparecida Rodrigues, filha de Benedito Rodrigues, o Dito Borges e de Ida Bego, de ascendência italiana. Dito Borges, de grata lembrança, zeloso jardineiro das praças centrais capivarianas era o terror da criançada dos anos 60 que insistia em pisar na grama e nos canteiros bem cuidados e fazia isso só para atormentar o jardineiro.

O casal teve os filhos Rosivaldo, Rogério, Roberto, Romeu Junior e Rita e viveram em Capivari por muitos anos e alguns de seus filhos retornaram à Indaiatuba e o Roberto se radicou, depois no Rio de Janeiro.

Romeu dos Bonecos era artista nato, ventríloquo notável, sempre acompanhado de seus bonecos: Justo e Sonera. O Justo era branco e palmeirense e o Sonera, negro e corintiano. Ambos faziam a alegria da criançada e também dos adultos. Os bonecos “faziam a alegria” pois Romeu dava vida e personalidade a eles.

Em 1939, Cornélio Pires, conhece Romeu, por ocasião de uma visita à Capivari. Cornélio, natural da vizinha Tietê, já era famoso por seu passado de escritor, jornalista, folclorista, poeta e cantor paulista. Conhecido como o “Bandeirante da música caipira”, seu trabalho de pesquisa e promoção da cultura “caipira”, ocupa um lugar de destaque pelo seu pioneirismo e desenvoltura na abordagem desse tema.

Cornélio tinha fundado a Cia de Teatro Ambulante de Cornélio Pires e convidou Romeu, então com 16 anos, a participar da trupe, que percorria não somente o interior paulista mas todo o Brasil. Em seu livro “Tipos Notáveis de Popularidade”, Antonio da Cunha Penna, de onde extrai essa foto que ilustra o texto, relata que Cornélio ficou impressionado com a habilidade de Romeu em beber água e fazer o boneco falar. No próprio livro de Cornelio Pires, Coisas d’Outro Mundo, há uma referência a Romeu. A sociedade durou vários anos, com o patrocínio exclusivo da Cia Antártica Paulista, tendo se apresentado desde o Carandiru até no Teatro Municipal de São Paulo. A Companhia seguiu realizando espetáculos por todo o interior do Estado de São Paulo, até o falecimento de Cornélio em 1958. Romeu dos Bonecos volta então a se apresentar sozinho. Anos antes, em 1945 esteve na Itália no final da Guerra, trabalhando no setor administrativo de FEB. Foi depois de sua volta ao Brasil e da morte de Cornélio que foi acometido pelo alcoolismo, mas fazia suas apresentações em seus momentos de abstinência.

Luciano Rodrigues, seu sobrinho e afilhado conta que ele ia à feira e pegava uma sardinha da banca e perguntava a ela há quanto tempo estava lá e se estava ainda boa ao que a sardinha respondia coisas que o feirante não apreciava e isso gerava alguns transtornos e muitas risadas.

Grato por prestigiar nossa coluna. Se Deus deixar, semana que vem tem a segunda parte. Abraço!

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