J.R. Guedes de Oliveira

Sociedade de Cultura Artística – Patrimônio de Capivari

Foto ilustrativa

(Ao amigo Arnaldo Forti Battagin, ofereço)

Pertenci, no início da década de 60, a Diretoria da Sociedade de Cultura Artística, tendo, como Presidente o Dr. Donaldo Ferreira de Moraes que realmente fez uma grande e avançada administração, principalmente nas festividades do carnaval.

Para conhecer melhor de como era a Sociedade de Cultura Artística em sua estrutura física, a sua entrada principal (e única), era pela Rua Saldanha Marinho, ganhando uma escada, pois que as dependências ficavam um pouco acima do nível da rua e da calçada.

No fundo do salão, atrás do palco, havia um bar, explorado pelo conhecido e dinâmico Villares. Ao lado desse bar, algumas mesas, inclusive algumas mesas de jogos de sinuca e, no meu tempo, mesas para o ping-pong.

Nessa dependência havia, também, uma pequena biblioteca para os seus associados, com empréstimo ou leituras ali mesmo. Não me recordo o nome da biblioteca, mas era de bons livros, principalmente romances. Despareceu, com o tempo.

Nos carnavais, com a presença do Rei Momo Hélio Grisotto, os bailes rasgavam a madrugada, nos quatro dias, só terminando na terça-feira à meia noite, com a chegada da Quarta-Feira de Cinzas. Nesse cada final de Carnaval, os foliões do Capivari Clube vinham em massa para a Sociedade de Cultura Artística, num ritual que se caracterizou e foi seguido a risco, por anos e anos. E na aglomeração total, o adeus a mais uma festa de fevereiro ou março.

Fora esta maior festividade da Sociedade de Cultura Artística, ainda havia as conferências e palestras, bem como os diversos encontros, cursos e debates sobre variados temas. Também, a apresentação de figuras, como o damista Wladimir Baakumenko e os fenomenais almoços da Associação Datti de Gastronomia, bem como as inúmeras apresentações do conjunto musical, me parece Moonlight Serenade, de José Carlos Sampaio, o popular Zuza que se empolgou com a notoriedade da Orquestra de Glenn Miller.

Por várias décadas, a Sociedade de Cultura Artística de Capivari foi um clube voltado para as boas práticas dos bailes mensais, animando Capivari e brilhando a Praça Dr. Cesário Mota. São 80 anos de existência, como sociedade, comemorado em 25 de janeiro passado.

Depois de longos anos, foi desativada, dando lugar ao então Escritório de Contabilidade de Alcides Vieira. Ali ficou por alguns anos e, em seguida, com a instalação da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Capivari. Hoje, tudo está a venda, pelos descendentes do proprietário Paulo Annicchino. Com efeito, ficou, no entanto, o Clube de Campo da Cultura Artística, mas já fora da cidade.

Nos áureos tempos da Sociedade de Cultura Artística, grandes figuras por lá passaram e deixaram a sua alegria e entusiasmo por um clube por demais popular. Pena que não se sabe por onde foi ou se existe o registro dessa atuação social na cidade.

ARTIGO escrito por J. R. Guedes de Oliveira, ensaísta, biógrafo e historiador. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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