Marcel Capretz

Tiago Nunes e suas ideias no Corinthians

Marcel Capretz

O desempenho de um time de futebol é resultado de tudo o que o clube como um todo gera e produz. Os jogadores compõe a parte visível do processo. Mas há centenas de engrenagens que funcionam sem o público saber e perceber que são tão fundamentais quanto os atletas.

Ou melhor, esses inúmeros outros departamentos que um clube de futebol tem servem de sustento para os atletas performarem dentro de campo.

O treinador é parte fundamental nisso tudo. É ele o catalizador de todos os recursos que o clube tem. O bom técnico é aquele que interfere positivamente no ambiente. O que sabe unir e agregar tudo o que a instituição dispõe para que o resultado dentro das quatro linhas seja o melhor possível.

E nisso entra a questão prática das ideias, dos conceitos e do modelo de jogo. Todo clube tem enraizado um estilo característico que o identifica. Não que isso seja imutável, já que o mais determinante é o que cada jogador pode oferecer para que determinado estilo funcione. Mas entender o contexto cultural e histórico do clube sempre é fundamental.

Fiz toda essa ponderação para dimensionar o tamanho do desafio do técnico Tiago Nunes no Corinthians. Ele foi contratado para romper com um estilo que foi extremamente vitorioso, mas que já dava sinais de desgaste. O clube teve o período mais vitorioso de sua história com padrões muito bem definidos com e sem a bola, independentemente do treinador – Mano Menezes, Tite e Fábio Carille.

Havia uma identidade de jogo: bloco de marcação médio e zonal, linhas muito próximas, agressividade para recuperação nas zonas mais próximas do próprio gol, velocidade e verticalidade para atacar….enfim, seria possível fazer um texto inteiro apenas pormenorizando o jeito de jogar que levou o Corinthians as suas maiores glórias. Mas Tiago Nunes pensa o jogo de uma maneira diferente. E repito: foi contratado justamente por isso.

Tiago gosta de marcação alta, por isso os atacantes terão que ser agressivos para roubar a bola e fechar linhas de passe. Os homens de meio e de defesa terão que avançar para compactar no campo adversário senão de nada adianta os jogadores de frente pressionarem.

Com isso, o goleiro terá jogar mais adiantado. Cássio já foi estimulado antes a isso? E Fágner e Gil “educados” a manter sempre a linha defensiva de quatro estreita e protegendo o alvo conseguirão sair para dar o bote eficientemente? E a construção ofensiva desde a defesa, utilizando quando necessário passes para o lado e para trás? Será assimilada?

Tudo depende primeiro de um convencimento dessas ideias e depois de treino, muito treino. Sessões de vídeo ajudam no entendimento, mas se isso não estiver somatizado no corpo do atleta, se não for algo incorporado, um comportamento de fato, não vai funcionar.

Os jogadores do Corinthians querem que esse novo estilo dê certo. O grupo abraçou Tiago e seus conceitos. Resta o ambiente, interno e externo, permitir que isso funcione.

ARTIGO escrito por Marcel Capretz
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