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Editorial: Simplesmente o poder

“Todo o poder corrompe. E o poder absoluto corrompe absolutamente.” (Thomas Hobbes, 1651).
O conceito de poder está embutido nas mais diversas esferas da sociedade humana.
A imposição do poder também. Começa na simples estrutura familiar para galgar os altos escalões governamentais. Mas sempre, imperioso – PODER.
Nesta semana as notícias mostram que o poder, nas suas diversas facetas, pode servir ao bem comum, como também à destruição da vida e da dignidade humana.
A Lei Maria da Penha teve que ser criada para tentar coibir a violência dentro dos lares. Os números relatados pela Delegada de Defesa da Mulher de Capivari assustam e mostram uma triste realidade que precisamos encarar às vésperas do Dia Internacional da Mulher: a relação que deveria ser de afeto, respeito e proteção, é “uma relação de poder”, como disse a Ministra do STF, Carmem Lúcia quando da aprovação do novo texto da Lei Maria da Penha. O Estado de Direito obrigou-se a aumentar a proteção à mulher contra o companheiro agressor.
Quem tem o poder de estruturar e de fiscalizar os trâmites legais para que homens e mulheres sejam responsáveis pelo bem estar de crianças e adolescentes no município, usa o poder sem nenhuma responsabilidade e provoca uma situação de constrangimento na população. Um órgão que tem o poder e o dever de cuidar para que a segurança e o bem estar de crianças e adolescentes sejam assegurados precisa ser eleito de forma clara, pelos representantes da comunidade, como dispõe o texto da lei. Mas isso não aconteceu e o poder estatal conferido ao judiciário determinou clareza por meio de norma regulamentadora para o processo eletivo que deverá ser realizado novamente.
Chama a atenção o poder da Polícia, que nesta semana desmanchou um ponto de venda de entorpecentes em Rafard. Poder que precisa ser amplamente usado e aproveitado para o bem, para que o cidadão que paga imposto tenha segurança.
O poder de uns sobre os outros se mostra na capacidade dos políticos brasileiros de votar e determinar o valor dos subsídios deles próprios. Esse poder não deveria ser concedido a eles, e sim ao povo que deveria escolher seus representantes e o quanto eles poderiam ganhar. Essa seria uma relação justa de poder. E não o que vemos no Brasil. Parlamentares têm que ser proibidos de aumentar seus próprios salários. Eles trabalham para o povo e não o contrário. Afinal, “o poder emana do povo”. Será?
O que dizer então dos órgãos de imprensa, considerados o 4º poder? Se alguém tenta cercear o direito de relatar os fatos, a imprensa perde esse poder e, lamentavelmente, é o povo quem vai sofrer. Muitas mudanças estão sendo promovidas com a liberdade de imprensa, garantia de um direito fundamental. Se a Lei da Ficha Limpa veio a existir é porque a liberdade da imprensa mostra as irregularidades nas altas esferas do poder público.
E finalmente, o poder de dirigir com respeito e honestidade a vida de cada um de nós não deveria ser uma exceção, mas qualidade inerente ao homem público. Pra que ressaltar a honestidade como algo tão importante? Ela tem que fazer parte do poder de viver do ser humano. O poder de criar na sociedade a capacidade de exigir o que lhe pertence: qualidade de vida, respeito, liberdade e dignidade.

Jornal O Semanário

Esta notícia foi publicada por um dos redatores do jornal O Semanário, não significa que foi escrita por um deles, em alguns dos casos, foi apenas editada.

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