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Fim das portas giratórias nos bancos

As portas giratórias nos bancos estão com os dias contados.
Instaladas nas décadas de 80 e 90 para coibir a ação de criminosos, as portas giratórias já estão sendo retiradas de algumas instituições. Elas possuem um mecanismo detector de qualquer tipo de metal, inclusive armas.
Para a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), a instalação das portas giratórias reduziu o número de assaltos nas agências metropolitanas. Por isso, os bandidos, que agem em bandos fortemente armados, passaram a praticar furtos e roubos nos caixas eletrônicos ou pequenas cidades do interior.
Alguns bancos já comunicaram à Febraban que irão retirar as portas giratórias. O motivo é o aumento no número de indenizações que os bancos são obrigados a pagar à vítimas ou famílias de vítimas por constrangimentos, danos morais e até mortes.
Os primeiros a adotarem a medida são os bancos Bradesco e Itaú.
Os bancos alegam que têm tido muitos prejuízos com o pagamento de indenizações às pessoas ou famílias de vítimas quando a porta trava. Há casos até de morte, como a que aconteceu em 3 de outubro de 2011, no ABC Paulista, quando o vigilante do Banco Bradesco de São Bernardo do Campo, após discussão com o cliente pelo travamento da porta, atirou e matou o homem quando este reclamou e reagiu à situação de ficar preso na porta.
Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, a decisão de alguns bancos de retirarem as portas giratórias das agências é considerada um retrocesso na questão da segurança dos bancários, clientes e segurança das instituições. “A porta-giratória é um item que complementa a segurança, e é necessária para a segurança das pessoas que frequentam os bancos, diz Juvândia Moreira, presidente do Sindicato.
O Banco Itaú confirmou a retirada das giratórias e anunciou que existem outros mecanismos de segurança, embora não tenha revelado quais. Já o Bradesco nega, mas há casos registrados pela imprensa onde as giratórias já foram retiradas.
A Febraban informou que de acordo com a Lei Federal n.º 7.102, as portas giratórias são opcionais.
A população, ouvida pela reportagem do Jornal O Semanário, é quase unânime em afirmar que as portas giratórias auxiliam na segurança dos clientes e dos funcionários dos bancos.
Justino, que trabalha numa confecção e é cliente de banco diz que sem as portas vai ficar pior. “Muitos que têm intenção maldosa chegam à porta e têm medo. Mas agora vão perder o medo e vai ficar mais fácil de entrar e assaltar.”
Para Rosângela, também cliente de banco não vai haver diferença. Para ela, “bandido quando quer roubar, vai roubar com ou sem porta giratória, pois isso não inibe de forma alguma suas ações”.
Jéssica (18) acredita que as portas giratórias devem continuar para dar mais segurança ao banco e aos seus clientes. “Quem está lá dentro se sente mais seguro”, afirma.
Adedison (33) fala que a porta ajuda muito. Ele comenta que trabalha na área de segurança e que sabe, sem dúvida, que hoje não existem tantos assaltos devido às portas giratórias. “Quando tirar, provavelmente vai aumentar a porcentagem de assalto em banco”, completa.
O debate sobre as portas giratórias veio à tona, segundo a presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, porque o banco Itaú Unibanco vem implementando a política de retirada de porta em todas as agências onde a lei permite que isso seja feito. De acordo com a instituição, “a retirada das portas giratórias das agências do Itaú Unibanco faz parte de um processo que começou logo após a fusão entre os dois bancos, ocorrida em 2008.
A instituição acrescentou ainda que as portas estão sendo substituídas por outros métodos de segurança. O Itaú Unibanco diz ainda que a retirada das portas foi feita a partir de um estudo, que constatou que houve redução nos assaltos às agências bancárias.

Números
A Febraban endossa a informação e afirma que entre 2000 e 2010 houve uma queda de 1903 para 337 assaltos às agências bancárias, uma redução de 82% no período. E no primeiro semestre de 2011 foram registrados 192 assaltos contra 206 no mesmo período de 2010.
Mas, para a presidente do Sindicato, em 2011 os números não foram animadores. “De 2010 para 2011 cresceu em 19% o aumento de assalto a bancos”, comenta. Além disso, em 2011, os bancos receberam multas que somaram R$ 5,5 milhões no ano por descumprir regras de segurança. Entre os itens mais comuns estão o alarme inoperante e a falta do número necessário de vigilantes, além do transporte de valores feitos pelos bancários.
A presidente garante que todo item de segurança que puder preservar a segurança das pessoas que frequentam diariamente bancos – sejam funcionários ou clientes – são importantes e ressalta que, se as portas estiverem sendo retiradas por queixas de clientes, isso pode ser resolvido com uma campanha de conscientização e com a manutenção correta dos equipamentos para não travarem em qualquer situação.

Jornal O Semanário

Esta notícia foi publicada por um dos redatores do jornal O Semanário, não significa que foi escrita por um deles, em alguns dos casos, foi apenas editada.

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