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‘No Autismo, é preciso conhecer e amar’, diz psicopedagoga

Acolhida, persistência e respeito são fundamentais na valorização dos autistas; municípios não tem registro oficial do número de autistas

Nesta sexta-feira, 2 de abril, é comemorado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Criada em 2017, pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data tem a finalidade de chamar a atenção da sociedade sobre a importância da luta pelos direitos dos autistas.

O Autismo, cujo nome oficial é Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição de saúde caracterizada pelo déficit na comunicação social (socialização) e comportamental. Não há apenas um, mas muitos níveis de Autismo.

A professora, psicopedagoga e psicanalista Vanessa Forti explica que os sinais do Autismo podem começar a aparecer já a partir do 1º ou 2º ano de vida da criança.

“Crianças que não respondem comandos, não fixam os olhos, demoram para começar a falar, andar ou sair da fralda podem estar apresentando sinais de Autismo”, explica a profissional com 12 anos de atuação na área.

Vanessa lembra que cada criança autista é única, e que ela precisa, antes de mais nada, de compreensão e amor. Ela reforça que as famílias também precisam de ajuda e que é fundamental a avaliação de um profissional capacitado para concluir o laudo que comprove algum nível de Autismo.

“Além dos autistas, que são pessoas amáveis, as famílias também precisam de atenção e cuidado. No Autismo é preciso conhecer e amar”, diz a professora.

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Na foto da esqueda, Kaike e a psicopedagoga Vanessa; na direita, Leonardo Leite, de 21 anos (Fotos: Arquivo pessoal)

Exemplos de que o acompanhamento profissional e a acolhida dão resultados, são vistos nas histórias de vida dos jovens autistas Kaike Gonçalves dos Santos, filho de Cristiane R. Pires Santos, e Leonardo Leite, filho de Maria de Fátima L. Leite.

As duas mães recebem atendimento para seus filhos através da Casa Nossa Mãe, antiga Casa da Sopa de Capivari. A instituição, já existente há 26 anos, não atende somente famílias de autistas, mas também desenvolve outros projetos de atenção social, saúde e qualidade de vida no município.

Já nos primeiros meses de atendimento, que é oferecido em parceria com a clínica da psicopedagoga Vanessa Forti, as mães dos autistas Kaike e Leonardo afirmaram que os filhos evoluíram e já conquistaram mais qualidade de vida, retomaram os estudos, melhoraram o convívio familiar e superam melhor o preconceito, segundo elas, ainda muito presente na sociedade. As duas famílias afirmam que sem o amparo da Casa Nossa Mãe, o tratamento dos filhos não seria possível.

Rafard e Capivari

Não há um cadastro oficial das Prefeituras de Rafard e Capivari que forneçam o número de pessoas autistas em cada um dos dois municípios.

O Serviço Social de Rafard informou que oferece o atendimento assistencial e psicológico aos autistas e suas famílias, mas que não há o registro oficial da quantidade de portadores de Autismo no município.

O único dado oficial é o fornecido pela Diretoria Municipal de Educação de Rafard, que possui 12 alunos na rede, que são assistidos pela Educação Especial e psicopedagoga. Destes 12, quatro deles são autistas.

Capivari também não informou se possui um cadastro atualizado na Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida. No município, os atendimentos aos autistas e seus famílias são feitos através da AMAI (Associação dos Amigos Autistas de Itu), com atendimento, hoje, de 13 famílias. Também há atendimentos na Casa Nossa Mãe e no Ambulatório de Saúde Mental.

Para o futuro, a Secretaria afirmou que há um projeto para a criação de um Centro de Apoio à Pessoa Autista em Capivari.

Ivanete Cardoso

Jornalista - MTB 57.303
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