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Projeto Missionário constrói hospital na África

No mês de janeiro, um grupo de missionários da Igreja Batista Nova Aliança de Rafard, esteve mais uma vez em Guiné Bissau e no Senegal, na África, onde iniciou a construção de um hospital para atender a população extremamente carente do local.
O projeto, desenvolvido pela Agência Missionária Kairós, mantém ainda uma escola e um posto de saúde na Guiné Bissau. O projeto tem o objetivo de evangelizar incentivar a participação social dos países de alta vulnerabilidade, dentro do continente africano.
Segundo o médico cardiologista e missionário Marcelo Arona, a Kairós elegeu o oeste africano para trabalhar. Ele afirma que a Kairós juntamente com várias igrejas associadas, promove o desenvolvimento de escolas comunitárias na Guiné Bissau, que é um pais sem nenhuma organização social. Arona conta que o país não tem presidente há muitos anos, pois todo o que entra é executado e eles não conseguem desenvolver nada. Não há estrutura de educação e não tem escolas formais.
O médico ressalta que é interessante notar que a população adulta tem uma educação e alfabetização formal muito boas, pois essas pessoas eram crianças na época do domínio português no país. Mas quando ele adquiriu independência se desorganizaram todas as estruturas construídas, inclusive a educação. A partir daquele momento todas as crianças e jovens perderam a educação e o acesso à educação formal. “Temos hoje um país de adultos alfabetizados, mas crianças e jovens completamente desprovidos de informação, conhecimento e educação, o que torna o país um ambiente de penetração muito difícil pra qualquer idéia de desenvolvimento”, conta Arona.
Quando o grupo da Kairós está lá para fazer evangelização, com objetivos de implantar igrejas evangélicas, percebe que o ponto mais grave do país, e que a agência poderia resolver era exatamente a educação, então fizeram um projeto piloto, abriram uma escola de ensino fundamental de 1ª a 3ª série, baseada exclusivamente nos recursos humanos que eles tinham. A escola tem pouco tempo e já abriga 200 alunos. O processo evoluiu em tal velocidade, que em 5 anos a Kairós já implantou 6 escolas que estão funcionando e que hoje opera com 1200 alunos e uma lista de espera de 3000 alunos. A ação da agência transformou a realidade de algumas comunidades. Hoje já se tem ex-alunos ajudando na educação de novos alunos.
No Senegal onde a agência também atua o viés muito forte é a saúde, onde eles têm uma estrutura de educação já organizada e formal ainda que bastante precária, mas a saúde é completamente desorganizada. Segundo Arona, não existe saúde pública no Senegal. Por ser um país de maioria muçulmana, é necessário que exista um laço social muito forte e por isso a Kairós começou o projeto Keru Dun (Casa de Paz), na tradução do dialeto local que é o Wolof. As dificuldades do trabalho são muito grandes. Os missionários enfrentam muitas barreiras e a primeira grande barreira é a da comunicação. Nesses países existem pelo menos 5 línguas oficiais. No caso da Guiné-Bissau a oficial é o português e a mais utilizada é o crioulo. No Senegal é o francês e a mais utilizada é o wolof.
A Igreja Batista Nova Aliança em Rafard se envolveu nesse projeto há 4 anos. Desde então, conta Arona, os membros da igreja vestiram a camisa do projeto. “É uma coisa muito gratificante porque toda vez que a gente vai lá trabalhar na área da saúde tem aquela sensação de que umas 500 pessoas morreriam se não estivéssemos ali. Então isso é um impacto muito grande, um impacto da sobrevivência de pessoas que que são tocadas por brasileiros lá, transformando a situação daquela localidade”, explica o médico. Dois anos após a primeira viagem a primeira missionária de Rafard se estabeleceu no Senegal. Jeane Rodrigues permaneceu 2 anos no país e voltou agora para uma reciclagem no Brasil.
Segundo Arona, o projeto tem chamado a atenção de pessoas de todos os lugares do Brasil. O missionário conta que pela primeira vez, neste ano, abriu as portas do projeto para uma pessoa que não faz parte dessa fé, desse credo. Ele diz que foi uma experiência muito boa. “A pessoa quis gastar o seu tempo de férias neste trabalho social. Ela se enquadrou neste modelo que temos para trabalhar, se envolveu e conseguiu retribuir de uma maneira muito positiva”, fala. Por isso há projeto para ampliar o processo no trabalho, que é voluntário.
Para o próximo ano, a Kairós tem planos para um grupo maior, que deverá construir uma escola em Guiné-Bissau. Segundo Arona, o grupo vai se dividir, indo uma parte para Guiné, para a edificação da escola e outra parte para o Senegal para continuar a construção do hospital.
Arona ressalta que é muito importante a presença de uma escola, pois 96% da população é mulçumana. E apesar de haver muitos cristãos e filhos de cristãos lá, tanto católicos como evangélicos são extremamente hostilizados nas escolas mulçumanas, são agredidos, sofrem todo tipo de bullying, que não fica apenas na brincadeira. Com a presença de escolas cristãs no local, o filho de cristão tem a oportunidade de estudar com mais tranquilidade e paz e as famílias podem ficar tranquilas também.
O médico conta que cada criança na escola no Senegal, custa R$ 30,00 para as pessoas daqui que as mantêm. Ele afirma que é um preço muito alto para eles. “Para nós é o preço e um lanche”, compara. Já na Guiné-Bissau é mais barato, a criança custa R$15,00. A Igreja Batista Nova Aliança mantém uma escola inteira na Guiné-Bissau. “É uma experiência muito boa, todas as vezes que vamos lá, eu sou questionado porque fazemos isso, a minha primeira resposta é porque somos brasileiros e brasileiro tem esse potencial de desprendimento”, comenta. “Brasileiro voluntário tem muito nesses países da África. Há também pessoas de outras nações, mas brasileiro corresponde à grande massa de voluntários ativos no oeste da África”, finaliza.

Jornal O Semanário

Esta notícia foi publicada por um dos redatores do jornal O Semanário, não significa que foi escrita por um deles, em alguns dos casos, foi apenas editada.

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