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Festa da Padroeira: cozinha guarda histórias de vidas inteiras de doação

Neste domingo (21) é o último dia de almoço da Festa em Louvor à Nossa Senhora de Lourdes, padroeira de Rafard. Este ano, por conta da pandemia da Covid-19, não vai ser possível almoçar no salão de festas, uma tradição que há tantos anos atrai milhares de visitantes à Cidade Coração.

O almoço será entregue para as famílias degustarem em casa. Nele, como não podia faltar, vem, entre outras porções, o tradicional frango assado e o cuscuz. É cuidando do tempero do frango assado da festa, que a rafardense Antônia Alves Quagliato, contou um pouco da sua história de dedicação e amor, que já passa de 60 anos de trabalho voluntário na igreja.

Na próxima quinta-feira (25), Toninha, como é conhecida em Rafard, completa 77 anos. Destes, ela já viveu 57 ao lado do marido, Antoninho Quagliato, que por muitos anos, também ajudou nos preparativos da festa. Inclusive, nos dias de festejo, ele começava já na madrugada, comandando a máquina de assar frango.

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Dona Toninha fez questão que a equipe da cozinha, que auxiliava no tempero do frango na manhã de quinta-feira (18), saísse na foto (Foto: Deise Campanholi)

Dona Toninha conta que ajuda na festa desde menina, quando ainda tinha 12 anos.

“Eu vivi toda a minha vida na Igreja, e já ajudava desde menina. Tinha a barraca da maçã, da roleta, das louças, ajudava de garçonete e aprendi, com as outras mulheres, que faziam na época, a fazer o caldo de galinha para preparar as coxinhas”, recorda com saudade.

Por muitos anos, Toninha foi catequista e também dedicou outros 15 anos na Pastoral da Criança. À frente da cozinha das Festas de Nossa Senhora de Lourdes, lá se vão mais de 30 anos de dedicação.

Ela conta que aprendeu os segredos do tempero do frango assado com o amigo da paróquia, Antônio Rossi, que por coincidência, faleceu um ano após ter ensinado a ela, como se fazia para deixar o frango saboroso, como é até hoje.

Hoje, com limitações da idade, com o marido que teve problemas de saúde, e com as restrições da Covid, ela continua ajudando, porém num ritmo menor. Mas o que ela ainda mantém é o compromisso em preparar e temperar o frango, junto com as outras mulheres da comunidade. Só para este final de semana, foram mais de 100 frangos limpos e temperados.

“Tenho saudade daquele convívio na cozinha, das nossas amizades e do salão cheio nos almoços de domingo. Tudo isso era muito bom. Sinto muita falta, mas este ano, ainda consegui ajudar. Faço tudo com muito amor, sou muito grata a Deus e a Nossa Senhora, por ter vivido tudo isso na minha caminhada na igreja”, conta emocionada.

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Na outra ponta está a jovem Bia Santos, que desde os 13 também auxilia nos festejos da comunidade, uma tradição em Rafard (Foto: Arquivo pessoal)

Na outra ponta

Durante a conversa, Toninha fez questão de lembrar dos jovens que hoje ajudam nas atividades das festas, e que para ela, representam a continuidade do amor e da doação, e também, da história das festas da padroeira.

“Olho para eles e me vejo lá atrás, menina, já ajudando. Tem um grupo de jovens, com moças e rapazes, que estão fazendo um trabalho maravilhoso. Eu vejo neles o futuro da nossa Igreja, fico muito feliz”, comenta.

O olhar de Toninha vê jovens como a Beatriz Gonçalves dos Santos, de 22 anos, que desde os 13, já ajuda nas atividades da Paróquia em Rafard. Para as festas da igreja, ela ajuda a arrecadar alimentos, a servir as mesas no grupo de garçons, e este ano, sem público no salão, ela ajuda na limpeza e na entrega dos almoços.

Bia, como é chamada, já foi coroinha, leitora e hoje faz parte do grupo musical da Igreja. Ela acredita que o trabalho voluntário na paróquia contribui para sua formação pessoal, em todas as áreas.

“Convivemos melhor com todos, nos tornamos mais tolerantes e amáveis, a exemplo de Jesus”, afirma.

A jovem afirma que aprende muito com o exemplo dos mais idosos que estão na comunidade há mais tempo. Para ela, pessoas como a Toninha, são exemplos.

“Os mais velhos nos ensinam o que aprenderam para que sejamos felizes no servir. Com o passar dos anos, a forma de trabalhar na comunidade muda um pouco, mas o motivo é sempre o mesmo”, reconhece Bia.

Para as duas mulheres, a jovem Bia de 22 anos e para Toninha, perto de seus 77 anos, o importante é servir, e no serviço vivenciar a prática da fé e do amor a Deus, servindo aos irmãos.

Ivanete Cardoso

Jornalista - MTB 57.303
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