Marcel Capretz

Muita calma no favorito

A tentação e, algumas vezes, o comodismo em apontar favoritismos futuros para quem já está vencendo existe. Trazendo isso para o futebol brasileiro atual o Flamengo tem muitos elementos que embasam qualquer análise que o leve a ser apontado como o melhor time do Brasil.

De fato, a equipe de Jorge Jesus é a melhor do nosso país. Se reforçou neste ano e está ainda mais forte do que no ano passado. Só não podemos esquecer jamais que o futebol só tem o tamanho que tem porque nem sempre o melhor vence.

Para não ficar em frases pré-prontas do mundo do futebol temos a obrigação de trazer a cultura brasileira para esse debate: nossos clubes são extremamente políticos e passionais. Isso significa que por mais que tenham gestões profissionais e faturamentos exorbitantes uma única abelha deixada de lado e/ou contrariada pode colocar fogo e comprometer toda a colmeia.

As duas últimas décadas já deixaram bem claro quem são os clubes que sempre vão brigar por títulos no Brasil. Porém apontar uma hegemonia de um ou de outro não cabe no nosso cenário. Se na Alemanha, na Itália, na França ou em outros países isso acontece deve-se entender o cenário enfrentado por lá e interpretar que por aqui a banda toca diferente – não julgo se é melhor ou pior, apenas diferente.

Da mesma forma que o Palmeiras não conquistou nada no ano passado, que o Corinthians se enrolou todo com o estádio, que o São Paulo se empolgou demais com o auto rótulo de ‘Soberano’ e que Inter e Cruzeiro (esse bem mais grave!) caíram para a segunda divisão recentemente, o Flamengo pode ter em seu caminho uma pequena pedra que o faça sair levemente da rota de sucesso.

A diferença do primeiro para o segunda é quase sempre mínima. Detalhes fazem a diferença. E o ambiente do futebol brasileiro é talvez o que mais tenha esses ‘detalhes’ no cotidiano dos clubes.

A pandemia trouxe ainda um fator novo e desconhecido. Nunca na história moderna se ficou tanto tempo parado. Como voltarão os jogadores e comissão técnica? Mais um ingrediente para provar que o bem feito de ontem fica no ontem. O hoje e o amanhã ainda estão em aberto.

ARTIGO escrito por Marcel Capretz
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