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Ser voluntário faz bem para a vida e para o mercado de trabalho

Ações do bem não tem idade; conheça as histórias das voluntárias Maria Júlia e Maria José

Desde 1985, no Brasil, existe a Lei 7.352, que instituiu a data de 28 de agosto como o Dia Nacional do Voluntariado. Neste ano, esta comemoração, que já completa 36 anos no país, acontece neste sábado (28).

A data é um dia especial para reconhecer o trabalho solidário de centenas de voluntários, que abraçam causas sociais diversas em meio à comunidade.

Mesmo em tempos de distanciamento social, os exemplos mostram que os voluntários, motivados pela solidariedade, seguem ativos e doam seu tempo, trabalho e talento, de maneira espontânea e não remunerada, para as causas de interesse social.

Para o professor e mestre em Gestão Estratégica de Negócios, Luís Campaci, a prática do voluntariado vem numa crescente positiva nos últimos anos no Brasil.

Ele explica, que na maioria dos casos, estes voluntários preenchem uma lacuna social, que deveria ser 100% suprida pelos serviços públicos, que são de responsabilidade dos Governos.

“O voluntariado só cresce em nosso país, e isso se dá por conta do aumento da longevidade humana, da piora na qualidade de vida e da incapacidade dos Governos em entregar serviços públicos de qualidade e na quantidade necessária. Cria-se aí um ‘buraco’ entre o que é necessário, e o que é, de fato, oferecido pelos governantes”, diz Campaci, que vem numa trajetória de 30 anos de experiência em Comportamento e Desenvolvimento Humano.

Por outro lado, ainda na visão de Campaci, os estudos também apontam que o ato voluntário está ligado às necessidades e motivações do próprio ser humano, de forma inconsciente.

Segundo ele, isso está relacionado à necessidade de pertencimento às instituições e de autorrealização. “É uma necessidade de construirmos nosso legado. Legado é como seremos lembrados depois de nossa partida desta vida, e o trabalho voluntário é um destes meios”, exemplifica o professor.

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Luís Campaci, professor e mestre em Gestão Estratégia de Negócios (Foto: Raízes FM)

Voluntariado x Mercado de Trabalho

Buscar uma vaga no mercado de trabalho não tem sido tarefa fácil nos últimos tempos, e com a pandemia da Covid-19, o número de desempregados só aumenta. Porém, se o profissional é também voluntário em alguma causa social, isso pode ajudar na hora da seleção.

Campaci explica que um voluntário possui muitas características positivas, como a disposição de fugir da zona de conforto, iniciativa, liderança, altruísmo, entre outras. “São características positivas, que somente pessoas de bons valores possuem”, explica o mestre em Gestão.

Todas estas boas características estão na mira dos selecionadores de RH (Recursos Humanos), que na hora de contratar um novo funcionário, vão valorizar este perfil. Sendo assim, é sempre bom citar o trabalho voluntário durante uma entrevista de emprego ou na hora de elaborar o currículo.

“O trabalho voluntário é um diferencial muito bem visto nos tempos atuais pelas empresas, ditas ‘maduras’, pois os candidatos a empregos, que exercem atividades profissionais, na qualidade de voluntário, demonstram possuir perfil diferenciado, e é isso que o mercado de trabalho está buscando hoje”, orienta Campaci.

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Maria Júlia, voluntária na causa animal (Fotos: Arquivo pessoal)

Voluntárias na vida e em favor da vida

A jovem rafardense, Maria Júlia Hortolani Camargo, 24 anos, e a professora de História aposentada, Maria José de Camargo Figueiredo, 75 anos, capivariana, são duas mulheres que levam Maria no nome, e o voluntariado na vida.

Maria Júlia é voluntária num grupo que cuida de animais abandonados ou vítimas de maus tratos, o GAAR (Grupo de Apoio aos Animais de Rua).

Ela conta que começou a ajudar depois que conheceu outros voluntários do GAAR, e resolveu se juntar a eles. Maria Júlia é autônoma e trabalha como banhista e tosadora de animais de estimação.

“É muito gratificante. Às vezes é muito triste ver o sofrimento destes animais, mas quando conseguimos ajudar, é uma sensação de missão cumprida”, conta a jovem.

O GAAR não é uma ONG, trata-se de um grupo de mais de 20 voluntários de Rafard e Capivari, que cuida de animais de rua ou vítimas de maus tratos. “Nós recebemos pedidos de ajuda para resgate, adoção de filhotes, entre tantas outras situações. A principal dificuldade é que dependemos de doações, gostaríamos de ajudar muito mais, mas nem sempre conseguimos”, desabafa a jovem.

Em tantas experiências já vividas com os animais resgatados, algumas delas vão marcar a vida de Maria Júlia para sempre, como a história que viveu com o cãozinho Jeremias.

“O Jeremias foi um cãozinho que apareceu numa festa de aniversário, na véspera de Natal, todo magro e doente. Uma amiga e voluntária do nosso grupo deu a ele, um lar voluntário, que depois ficou definitivo. Acompanhei de perto a evolução e a melhora dele. Há pouco tempo o Jeremias morreu, mas sempre vou lembrar dele com muito amor”, conta emocionada.

Maria José, voluntária na Adusmec, em Capivari (Foto: Arquivo pessoal)

Com o mesmo espírito, tem também a história da Maria José, mais experiente na vida e no voluntariado. Há um ano ela perdeu o marido, seu parceiro e amigo nas atividades voluntárias da ADUSMEC (Associação dos Usuários da Saúde Mental), onde presta ajuda, desde a sua fundação, há seis anos.

O amigo e companheiro se foi, mas Maria José continua no voluntariado. Todas as tardes, de segunda a quinta-feira, ela ajuda no Bazar da Associação, que fica no bairro Estação, em Capivari.

Nas sextas-feiras, de manhã, é dia de bazar na praça central, e ela também está lá como voluntária.

A ADUSMEC está sediada na rua André de Melo, 286, no Centro de Capivari, onde abriga um sebo com centenas de livros, com títulos variados. No começo, quando não parava de chegar caixas e caixas de doações, foi Maria José que separou e catalogou cada um dos livros, com a ajuda de outros voluntários.

Além do Bazar, ela também é voluntária na venda de livros e revistas na Feira do Livro da Adusmec, que acontece todo mês, na praça central. Inclusive, uma dessas feiras acontece neste sábado (28), a partir das 8h, bem no Dia do Voluntário.

“Gosto muito do que faço, e é com muito amor. Isso me preenche, e eu não tenho vazio no meu coração. Ser voluntária é muito bom, é um ato de doação

Ivanete Cardoso

Jornalista - MTB 57.303

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