Rubinho de Souza

Minhas férias escolares

Lembro-me perfeitamente da sensação que todos nós alunos sentíamos, nesta época do ano ao se avizinhar as tão esperadas férias de julho, no tempo em que ser criança, era ter tempo para brincar com toda a liberdade, livres do excesso de compromissos dessa educação formal de hoje.

Nas minhas férias, eu ia para Porto Feliz, onde morava minha avó materna, e meus tios, e lá ficava quase todo o mês de julho, e visitava muitos lugares da cidade, que tinha variadas atividades culturais a ocupar os dias dos meninos e meninas.

Nesse tempo, a viagem até a cidade de Porto Feliz, onde morava minha vovó Isaura, era feita de ônibus pela Auto Viação Camargo, dos irmãos Joel e Geraldo Camargo, que por sinal, eram amigos do meu pai, e até hoje amigos de nossa família.

A visita à gruta na cidade de Porto Feliz, era sem dúvida obrigatória, onde poderia admirar as belezas naturais daqueles paredões enormes, formados ao longo do tempo pela natureza, onde as araras pousavam para se alimentar, e por isto é chamada de “Araritaguaba” – que significa: “lugar onde as araras comem areia” – nome dado pelos índios Guaianazes que habitavam aquela região.

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Foto enviada pelo colunista

Mas voltando às férias, estas foram pensadas, para que o aluno pudesse vivenciar na infância no que há de mais essencial nesta fase, e não para fazer cursos complementares ou outras atividades correlatas, mas para se divertir, interagir com outras crianças em brincadeiras e jogos. E assim era naquela época, onde nas férias, via-se crianças na rua brincando o dia todo.

Há quem ache que nas férias, a criança precisa aproveitar para fazer um curso de computação, ou curso de línguas, ou algum curso disso e daquilo. Mas não é empanturrando a infância dos pequenos de aprendizagens formais que fará da criança um adulto mais preparado para o mundo competitivo. É justamente o contrário, visto que, por conta dessa sobrecarga, corremos o risco de a criança se tornar no futuro, um adulto competitivo, calculista, egoísta, ansioso e estressado.

As férias do meu tempo pareciam tão longas, assim como longo era cada dia delas, porque cada minuto era bem vivido.

Posso afirmar sem medo de errar, que foi um privilégio ser criança e depois adolescente nesta época de ouro, em que tínhamos mais tempo para ser livres, para aproveitar o melhor período de nossas vidas, pois estávamos protegidos dos agentes causadores do estresse.

Nessa época, não se ouvia dizer de criança com sintomas de stress, como hoje em que é considerado um dos males do novo milênio pelo fato de as crianças estarem com suas agendas cheias de compromissos formais, como se fossem gente grande.

Na minha infância, na década de 1970, as crianças eram mais alegres, e os brinquedos eram feitos com latinhas de leite ninho, com carretéis de linha, os carinhos eram feitos de madeira, as bolas eram feitas de meia, a peteca era feita com palha de milho. De um pneu velho de carro, ou de bicicleta, fazia-se tornar um brinquedo. Apostar corrida, nadar nas lagoas, jogar bola, subir e balançar em árvores para se sentir grande, eram essas as nossas atividades diárias nas férias.

Passadas as férias do meio do ano, quando então havia o retorno às aulas, o sentimento que nos tomava, era daquele gostinho de reencontro com os amigos de classe, somados ao desejo de devorar os livros da escola, de preencher folhas e folhas de cadernos, e o desejo de aprender coisas novas, que seriam ensinadas daí por diante. E lógico, uma nova expectativa da chegada das férias de final de ano letivo que eram mais longas, e por isso aguardada com maior ansiedade ainda pelos alunos…

Bons tempos esses, que ficaram gravados, e guardados numa gavetinha especial de nossa memória, onde se lê em letras douradas: “Tempos Felizes”. Sim, foram os melhores anos de minha vida, e creio que também da maioria que teve, assim como eu tive o privilégio, de viver uma infância feliz, quando a criança tinha mais tempo para ser criança.

Grato pela companhia da leitura. Se Deus deixar, semana que vem eu volto. Abraço.logo do fundo do baú raffard

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