J.R. Guedes de Oliveira

O nosso mercado municipal de 1885

Dedico ao Dr. José Vicente Colaneri, com alta estima

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Mercado Municipal de Capivari (fundos, com saída para a praça Rodrigues de Abreu)

Na rua Regente Feijó, entre a Praça Rodrigues de Abreu e a Praça Dr. Cesário Mota, onde se situa o “platô”, em 1885 foi lançada a pedra fundamental do Mercado Municipal de Capivari. Naquele tempo, ali se chamava “Largo da Liberdade”.

Recolhemos, para melhor conhecimento, a notícia que, depois de 30 anos desse evento, a Gazeta de Capivari, do dia 17 de outubro de 1915, assim fez estampar em suas páginas:

“Ata da bênção e colocação da 1ª. pedra do Mercado de Capivari. Aos 4 dias do mês de agosto do ano de 1885 e do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo e 6º da Independência do Brasil, reunidos nessa cidade, no Largo da Liberdade, os vereadores da Câmara Municipal, o Reverendíssimo Vigário padre Haroldo de Tracy de Camargo do Prado e Danuntre, e as demais autoridades e pessoas que subscrevem a presente ata, apresentada pelo empreiteiro Sabatino Falcione a pedra que vai servir para construção de um mercado, mandado edificar pela Câmara Municipal. O Reverendíssimo Vigário benzeu a pedra que elevada pelos vereadores presentes, foi posto no luar que lhe era destinado e onde se colocou também, além da presente ata, um número do Jornal Gazeta de Capivari, e de outros periódicos. Feito aquela cerimônia ao som de música e no meio de regozijo popular, encerrou-se a presente ata, que vão assinada pelos vereadores presentes, mais pessoas e por mim, José Rosa da Silveira, secretário a escrevi. José Rodrigues de Almeida Leite, vice-presidente da Câmara; Padre Haroldo de Tracy de Camargo do Prado e Danutre, vigário; Dr. Cesário Nazineio de Azevedo Mota Magalhães Júnior; Vereador Antonio José de Souza; Vereador João Paula da Cruz Leite; Vereador André Teixeira Pinto Júnior; Veredador Manoel de Melo Almada”.

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Mercado Municipal de Capivari (entrada principal, na rua Regente Feijó)

O Mercado Municipal de Capivari tinha uma construção arquitetônica em forma de um círculo, que bem lembrava os mercados da Síria, Iraque, Líbano, Turquia e outros mais, e formação arrojada para a época. Os comerciantes tinham os seus espaços para todas as atividades, como armazéns, lojas, açougues. Neste último, o que mais se evidenciava era o “Açougue do Colaneri”. No meio do mercado, um espaço central, para as feiras dos sábados ou domingos, nas chamadas “Feiras Livres”, de venda de legumes, verduras e frutas. A sua entrada principal, pois, era pela rua Regente Feijó. A outra era pequena entrada, mas que dava para a Praça Rodrigues de Abreu, onde, exuberante, havia um enorme ipê (que foi cartão postal de Capivari e descrito de forma encantadora pela poeta Gardênia).

No gestão de Miguel Simão Neto, entre ao anos de 1956 a 1959, este, com o pensamento voltado para a modernidade ou coisa que desconhecemos, mandou que fosse demolido, assim como outras edificações, como a Prefeitura Municipal, o Coleginho, o Grupo Escolar Augusto Castanho e outros mais. Foi uma enorme perda para a nossa história. Numa das cartas do Miguel Simão Neto, que ainda guardo, ele me contava da viagem que fizera para o Egito e outros países e como se arrependera desta sua atitude tão infeliz, muito embora sabendo o que ele representou para Capivari.

Estes fragmentos contados, servem, sempre, para enriquecer o nosso passado e evidenciar a grandeza da cidade, em inúmeros sentidos e visões.

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Escritor J.R. Guedes de Oliveira (Foto: Divulgação)

ARTIGO escrito por J. R. Guedes de Oliveira, ensaísta, biógrafo e historiador. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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