Rubinho de Souza

O Progresso, em 22 de outubro de 1944

Prosseguindo com a política de trazer ao amigo leitor notícias antigas retiradas do jornal “O Progresso” que ao meu sentir, agrada a maioria dos que prestigiam nossa coluna, desta feita transcrevo abaixo um artigo escrito pelo filho do fundador do prestigiado periódico da época, cujos exemplares, até hoje é motivo de curiosidades de muitos que tem lembrança desse tempo.

Fausto Olindo Bósio, escreve sobre a situação de estiagem pela qual passava Vila Raffard e toda a região, relatando como consequência da falta de chuvas, vários efeitos cascatas, inclusive a possiblidade de apagão energético, tal como estamos a correr risco nos dias atuais.

Bem, sem mais delongas, vamos ao artigo escrito há 77 anos passados, mais precisamente em 22 de outubro de 1944, ou seja, em plena Segunda Guerra Mundial, o qual passo a transcrever para deleite, senão de muitos, pelo menos de alguns:

“Energia Elétrica – Continua preocupando todo o interior paulista, a grande estiagem, que felizmente parece ter encerrado, nestes últimos dias, o seu reinado, e a qual vinha fazendo sentir os seus efeitos desastrosos em todos os setores, contribuindo, também, pela deficiência de energia elétrica às cidades e indústrias.

Capivari, e como consequência Rafard, e mais Laranjal, Tietê e Tatuí, também teem os seus entraves: deficiência de luz e força elétrica. É este um estado mórbido permanente. Desde há muito sentimos a precariedade dêsse serviço, e, embora a grita se ressoasse, tudo tem permanecido inalterável.

Os prefeitos das cidades acima não descuram do assunto.

Capivari, graças à eficiência e os indescritíveis esforços de seu prefeito Mário Bernardino, exige por parte da emprêsa concessionária o cumprimento das cláusulas contratuais. E como é um direito que lhe assiste, mais dias, menos dias, estará solucionado o famoso “caso” da luz: a prefeitura trabalha eficazmente para a desapropriação, e trabalha com 90% de possibilidade de êxito.

Capivari, a centenária Capivari, bem que merece ser melhor aquinhoada.

Oxalá se resolva tão pronto quanto possível esse angustioso problema; só assim poderemos contar com novas indústrias, novos estabelecimentos fabris e um melhor serviço de iluminação pública. – F. O. B.”

Para quem não sabe, nossa região sofria com constante falta de energia elétrica. Dizem os mais antigos, que bastava um trovão mais forte, e todo o sistema caía, deixando todas as ruas e casas na mais completa escuridão por longo tempo. As indústrias por esse motivo, passaram a ter produção própria de energia – como é o caso, por exemplo da usina.

Eram tempos difíceis esses, enfrentados pelos nossos antepassados, tanto que motivou o redator do jornal “O Progresso” a fazer essa matéria, com o objetivo de conscientizar a todos os envolvidos no problema que parecia não ter solução.

Por hoje é só, mas semana que vem, se Deus deixar, eu volto. Abraço ao caro leitor.logotipo do fundo do báu raffard

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