Rubinho de Souza

Ter “Espírito Público” é preciso!

Concluídas as eleições municipais de 2020 nas cidades onde não tem segundo turno, trazemos aqui uma conversa diferente e aprofundada, analisando os resultados das eleições e suas consequências para o cenário político de nossa região, notadamente de nossa cidade.

Antes de tudo, devo dizer que pessoalmente, não consigo enxergar os resultados, como vê a maioria, ou seja, sendo de uns poucos vitoriosos que irão governar por quatro anos os destinos da cidade, e a maioria de derrotados que não conseguiram eleger o seu candidato.

É preciso ter em mente que em meio à pandemia, tivemos um cenário atípico para as eleições deste ano, não só em Rafard e região, mas em todo o país, quando grande parte dos eleitores não compareceram, optando por não ir votar, preferiram “ficar em casa” com receio do vírus.

Terminadas as eleições, em janeiro de 2021, o que se espera de todos, é o chamado “espírito público”, que deve nortear a todos aqueles que se colocaram à disposição do eleitorado, expondo suas ideias, sua plataforma de governo caso fossem eleitos, e dos não eleitos, coerência e o mesmo espírito público, para ajudar nas causas que são convergentes com as suas, afinal, todos devemos ter sensibilidade para os reclamos da opinião pública.

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Paço Municipal (Foto enviar pelo colunista)

Sob o ponto de vista da cultura política, esse conceito de “espírito público”, estabelece, na sociedade, uma dependência em relação ao município, convertido a partir da nova gestão, no mais cobiçado empregador e no provedor compulsório de “todas” as necessidades. Pelo viés oposto, o verdadeiro gestor com espírito público deve saber escolher o mal menor e o bem maior, norteado por um senso real de justiça e por um sentido de história, sabendo distinguir o direito, do privilégio.

Pessoas com verdadeiro espírito público, que assim agem, são gestores no real sentido da palavra, visto que, possuem, em seu cerne, a motivação de transformar a realidade local com práticas sustentáveis, transparentes, mobilizando a sociedade para que participe das suas decisões. Líderes que foquem, não somente em seu mandato, mas pensem a longo prazo, que dê sequência nas ações realizadas pelos seus antecessores quando benéficas à coletividade.

Ao longo da minha vida de grande entusiasta e observador da política de nossa cidade desde a emancipação, tenho sempre acreditado em dias melhores, numa governança compartilhada por setores da sociedade, ainda que o desafio seja grande, visto que, uma parcela da nossa classe política está desacreditada, justamente pela falta de ética e de respeito público. Isso também justifica, em parte, a descrença do eleitor em momentos tão importantes como o de uma eleição, não comparecendo para externar seu voto. Isso demonstra que a população tem manifestado, cada vez mais, sua insatisfação.

As pessoas deverem ter maior participação nas decisões, atuando, como coautores da mudança, em causas que não sejam mais individuais, e para isso os gestores públicos devem criar canais de comunicação e implementar ações aptas a aumentar essa participação.

Não é de bom alvitre que tenhamos políticos retratando os opositores como inimigos, e mesmo pessoas que antecipadamente não aceitam a gestão do governante eleito, simplesmente porque ele não era seu candidato. É preciso entender que a eleição se deu dentro das regras aceitas por todos, e o mais votado, foi eleito e devemos torcer para que sua gestão seja exitosa.

Um determinado escritor e jornalista, afirmou em recente entrevista, que, atualmente, a política se tornou uma realidade tribal e cultural, na qual as pessoas se identificam como o fazem com o time para o qual torce, que mesmo jogando mal, ainda assim, se mantém leal, enquanto que, se o time adversário joga bem, ainda assim fala mal, ou seja, as discussões políticas se tornaram uma grande torcida entre oponentes. Temos o dever de sair dessa polarização e pensar no bem maior, pois apenas mudou o timoneiro – ainda estamos no mesmo barco.

O espírito público precisa fazer parte da nossa sociedade. Admiro pessoas que atuam em diferentes áreas, sendo políticos ou não, que carregam a força do espírito público na forma de se relacionar com a sociedade, como por exemplo, os professores e profissionais de saúde, que exercem e desempenham suas funções com foco na transformação e melhora da sociedade.

Sejamos essas pessoas! Como cidadãos e como eleitores, precisamos buscar para o nosso dia a dia essa agenda de cidadania e de respeito coletivo.

Parabéns a todos os eleitos! E que a nova gestão seja, desde a posse até o último dia, inteiramente voltada para os anseios da população, que possam como homens públicos, verdadeiramente comprometidos com a ética, passar para a nossa história.

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