Carta do Leitor

Amores de Estação

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Valéria Figueiredo Bragion, jornalista e professora de artes na Prefeitura de Rafard (Foto: Arquivo pessoal)

Quero falar de amor. Quero gritar amor, para os quatro cantos do mundo, para calar toda tristeza, secar todas lágrimas, estancar todas as feridas.

Quero esquecer os dias maus, quero afogar as mágoas. Não minhas, de todos nós.

Quero falar de um amor que não é de estação, nem de trem, nem de rodoviária. Ele é de verão, de outono, de inverno e de primavera. Ele não tem hora para chegar muito menos para sair. Está no meio do vento e das tempestades. No sol, na lua. Está entre nós. Está naquele que ama e chora, mas suporta. Naquele que ama e perdoa.

Quem ama vira a página e continua escrevendo sua história. Sobe os degraus das escadas, mesmo cansado. Quem ama abraça, sorri. Chuta a bola para o alto, mesmo que não faça gol. Quem ama acredita que o dia esperado vai chegar. Quem ama tem fé.

Àquela, que é invisível aos olhos, mas está fincada no fundo do coração. Que dor nenhuma pode tirá-la, pelo contrário. Falo daquela fé, que a cada lágrima caída é fortalecida.

Se eu pudesse plantaria essa fé no mundo inteiro. Se eu pudesse, distribuiria amor para o mundo inteiro. Mas eu não posso. Por isso eu choro. Choro pelos que não amam, pelos que não tem fé. Choro por aqueles que precisam de ajuda e não enxergam. Choro por aqueles que sofrem por estarem cegos. Choro por aqueles que não tem força de continuar escrevendo sua história, muito menos subir os degraus de sua escada.

Que cada lágrima caída possa semear em algum canto, em algum lugar, um pouquinho só de amor. E de fé. De esperança, para dias melhores. Para aqueles que não tem força, não desistam de lutar. Que descansem, mas continuem. Que aprendam a amar, de verdade.

Por Valéria Figueiredo Bragion, jornalista e professora de artes na Prefeitura de Rafard

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