Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

Chico Xavier, Tarsila e “A caipirinha”

“Viver é sempre dizer aos outros que eles são importantes. Que nós os amamos, porque um dia eles se vão e ficaremos com a impressão de que não os amamos o suficiente.” Chico Xavier

Em São Paulo, o casal Galvez sempre recebia Chico Xavier em seu lar para os eventos de que o médium vinha participar na capital. Muito amigo da Tarsila, após o falecimento dela, em janeiro de 1973, era costume dele levar flores e fazer prece no túmulo da artista plástica, no cemitério da Consolação, conta-nos a dona Nena Galvez.

No discurso proferido por Francisco Cândido Xavier, em 19/05/1973, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, quando recebeu o título de Cidadão Paulistano, o médium fez referência a Tarsila, que havia prometido estar nessa ocasião mesmo em cadeira de rodas – mas a vontade do Senhor a havia transferido para a Vida Maior.

Chamando Tarsila de sua benfeitora, Chico Xavier diz que a grande dama católica aceitava sua amizade como espírita e médium, com bondade inesquecível, “que orava em cores e produzia telas que hoje são o encanto e riqueza do Brasil e do mundo”. Afirmou que “dona Tarsila” se inclinava aos pequeninos da mesma forma que acolhia as personalidades ilustres.

E afirma que “tanto ela, como eu, acreditava que os gênios do Brasil não estão mortos, que os grandes fundadores da civilização paulista e brasileira estão vivos operando e cooperando em nosso favor, e eles nos auxiliam”. (1)

Tarsila enfrentou as desilusões amorosas sempre com grande dignidade e sobreviveu a grandes tragédias pessoais, como a morte da neta, Beatriz, aos 13 anos de idade, por afogamento, e da única filha, Dulce, vítima de diabetes. Foi nessas circunstâncias, nesses tempos difíceis, que a artista, desesperada e deprimida, se aproxima do espiritismo e do médium, doando parte da venda dos seus quadros à instituição assistencial na qual Chico Xavier colaborava e de quem se tornou amiga.

A artista plástica, anos depois de sua morte, foi homenageada pela União Astronômica Internacional, em 20 de novembro de 2008, que deu o nome “Amaral” a uma cratera do planeta Mercúrio. Curioso, não?

Em São Paulo, um leilão promovido pela Bolsa de Arte no próximo dia 17 de dezembro promete movimentar o mercado. Isso porque o quadro “A caipirinha”, de Tarsila do Amaral (1886-1973), estará disponível para arremate, com um lance mínimo histórico, por conta do valor: R$ 47 milhões, um recorde absoluto no país. A obra, confiscada pela Justiça, está disponível para visitação pública em São Paulo, na Galeria Bolsa de Arte, desde terça-feira dia 08 de dezembro até dia 17. (2)

(1) Chico Xavier agradece São Paulo e Tarsila do Amaral: www.youtube.com/watch?v=euqb9F3v_c8
(2) O Globo – 07/12/2020: https://www.ovale.com.br/_conteudo/viver/2020/12/118447-quadro-de-tarsila-do-amaral-vai-a-leilao-com-lance-minimo-recorde-no-brasil–r–47-milhoes.html
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