Arnaldo Divo Rodrigues de Camargo

O fracasso é uma zona de conforto

As pessoas viajam para admirar a altura das montanhas, as imensas ondas dos mares, o longo percurso dos rios, o vasto domínio do oceano, o movimento circular das estrelas, e, no entanto, elas passam por si mesmas sem se admirarem.
Santo Agostinho

O professor Eurípedes Barsanulfo enfatizava que devemos ser “vencedores da rotina escravizante. Em cada dia renasce a luz de uma nova vida e com a morte somente morrem as ilusões. O espírito deve ser conhecido por suas obras. É necessário viver e servir. É necessário viver, meus irmãos, e ser mais do que o pó!”.

Aurélio Agostinho de Hipona, conhecido universalmente como Santo Agostinho, foi um dos mais importantes teólogos e filósofos nos primeiros séculos do cristianismo. Ele afirmava que “é a necessidade que nos obriga a fazer casa, não o livre-arbítrio”. E ainda que “consiste o livre-arbítrio em voluntariamente cumprir o fado (destino)”.

E que Deus, depois de nos conceber, como filhos, nos premiou com a individualidade e com o livre-arbítrio, e que agora não pode nos salvar do nosso destino (escolhas). Tanto é que Agostinho asseverava que “quem é bom, é livre, ainda que seja escravo. Quem é mau é escravo, ainda que seja livre”.

Lidando há mais de 40 anos no serviço social e voluntário com crianças, famílias e agora há mais de uma década com a dependência química, vi muitas pessoas deixarem o corpo e não deixarem os vícios, sejam das drogas lícitas – cigarro, álcool, psicotrópicos – ou das ilícitas – maconha, cocaína, crack, ecstasy.

O êxtase é consumido recreativamente, principalmente entre estudantes universitários, e, claro, com o “abre-alas” do álcool. O efeito pode durar até 8 horas. No Brasil é usado muito em festas raves por jovens, inclusive em Capivari.

Adquirir um hábito é muito fácil e abandoná-lo depois que se tornou dependente é muito difícil, porque se transforma numa doença primária e crônica. Nosso cérebro é preguiçoso para abandonar hábitos já firmados.

Quase sempre o viciado (adicto) adia a mudança, posterga para depois um tratamento, resiste a frequentar um grupo de mútua ajuda, se nega a buscar assistência de um especialista, seja terapeuta, psicólogo ou médico. Adia aquilo que não quer fazer ou que não lhe dá prazer – vivenciar a abstinência para superá-la. Faz aquilo que demanda menos esforços, como maratonar os bares, as festas, o futebol com churrasco e outras “coisitas mais”.

Sobre liberdade de escolha e aprendizado, o professor e doutor Boberg escreve: “Aprender é um processo ‘personalíssimo’ que não pode ser terceirizado a ninguém. Ademais, o desenvolvimento do livre-arbítrio é um processo infinito, razão pela qual, quanto mais adquirimos experiência, erramos menos e, por essa razão, fazemos escolhas mais inteligentes”.

Se o fracasso é uma zona de conforto, a retenção do que não necessitamos é também uma zona de inquietação. Portanto, procuremos levar para o amanhã somente o que pode nos fazer bem hoje.

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