Denizart Fonseca

Sabedoria de Gandhi II

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Denizart Fonseca, Cidadão Rafardense, oficial da FAB e professor de Educação Física e Desportos, colaborador desde a fundação do jornal O Semanário (Foto: Arquivo)

Trabalhador impaciente

Fervoroso, mas impaciente trabalhador, tentou organizar templos e praças pública inteiramente abertas para os estudos de sua filosofia – Satyagraha. Teve algum êxito, mas não tento que chegasse a orgulhar-se e por isso, impaciente escreveu: “é inútil esperar que esses elementos ortodoxos comecem, uma vez que apenas se movem se obrigados.

São indispensáveis medidas drásticas para acabar com a intocabilidade. Por isso peço-lhe, gentilmente me favoreça com sua opinião: se será um método eficiente o Satyagraha para que trabalhadores entrem nos templos, sem que isso impeça que o façam os ortodoxos. Apelos e súplicas não produziram efeito e, em minha humilde opinião, perder mais tempo nesse esforço é desperdiçar precioso tempo”.

Fechar assim a questão será evidente coação, e não deve haver coação em matéria de religião e reformas. O movimento para acabar com a intocabilidade é de autopurificação e ninguém pôde ser purificado contra a sua vontade. Por isso não pode haver força a ser usada direta ou indiretamente contra os ortodoxos.

Deveríamos lembrar-nos que muitos de nós fomos como os ortodoxos antes de reconhecermos a necessidade de acabar com a intocabilidade, e não teríamos gostado que alguém impedisse o nosso acesso aos templos, porque nesses dias acreditávamos – sem dúvida erradamente, sabemo-lo agora que aos contrários não devia permitir que entrassem nos templos.

Ainda assim, não podemos impedir o acesso aos ortodoxos. Lembraria também ao correspondente que a palavra Satyagraha é com frequência usada incorretamente para encobrir violências veladas. Mas, como criador de palavra, posso dizer que ela exclui qualquer forma de violência, direta ou indireta, clara ou velada, tanto em atos quanto em palavras e até em pensamento.

É infringir Satyagraha desejar mal a um opositor ou proferir uma palavra dura a ele ou a respeito dele com a intenção de feri-lo. E até, muitas vezes, o mau pensamento e a má palavra no sentido de Satyagraha, podem ser mais perigosos que a violência no calor do momento e talvez logo arrependida ou esquecida no momento seguinte.

Satyagraha é gentileza, jamais fere. Jamais deve ser resultado de raiva e de malícia. Jamais espalhafatosa, jamais impaciente, jamais vociferante: é o exato oposto da coação. Foi concebida como substituto integral da violência.

Não obstante, concordo plenamente com o correspondente que “são necessárias providências mais enérgicas para acabar com a intocabilidade”; mas essas providências tem que ser tomadas contra nós mesmos. (Segue).

Cidadania

Uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos educadores é a falta de bons princípios (educação), que as pessoas tiveram em sua infância, não recebendo dos pais (que também não haviam recebido), na tentativa de mostrar-lhes o caminho certo, isto é: respeitar para ser respeitada, em caso de dúvida sobre uma relação com seu semelhante, ir a ele e esclarecer, jamais dizer “por traz” o que deve ser dito na frente, o que demonstraria grande covardia.

Analisar bem o que vai dizer, referindo-se a algumas pessoas. Não mande recado, vá diretamente há quem lhe causa aborrecimento e tire as dúvidas. Não é isso que é ouvido nas casas de orações, repetindo o ensinamento de Jesus: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao seu semelhante como a si mesmo”?

Temos a consciência tranquila quanto a pratica da educação moral, cívica e religiosa aprendida dos nossos pais, e reforçada no Grupo Escolar dos bons tempos.

O brasileiro – com raras exceções – não é muito ligado a leitura, mas esperamos que estas modestas, mas úteis observações sejam lidas, entendidas e aplicadas. É isso.

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