Leondenis Vendramim

A imprensa e nossa língua 7

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Leondenis Vendramim é professor de Filosofia, Ética e História (Foto: Arquivo pessoal)

Houve vários idiomas que predominaram sobre outros devido ao domínio territorial. O império babilônico impôs sua língua aos escravizados israelitas (Dn 1:4); o império grego aos romanos. No tempo de Jesus o latim, o grego e o aramaico eram os idiomas universais.

Os portugueses impuseram sua língua aos colonos, universalizando-a nos séculos 15 e 16. O francês foi uma língua universal. Ainda estão na lembrança palavras como can-cun, telha francesa, fenestra. Em Rafard (nome francês) o povo comum sabia pelo menos algumas palavras francesas e a escola ensinava o francês.

Hoje o inglês é predominante, é só olhar para a linguagem da digitalização (mouse, hard, google-play…) e para as lojas: (off 30%, for sale, shopping, super-bond, pet, dog…), mas a língua inglesa é também uma das que mais recebeu estrangeirismos.

A língua portuguesa passa por uma metamorfose tão ampla e rápida, que se alguém não acompanhar poderá tornar-se, não só um analfabeto digital, mas também na comunicação. Por isso, vale a pena seguir as transformações linguísticas atualizando-se e ampliando a capacidade do cérebro exercitando-o com os novos vocábulos.

O estudo dos termos linguísticos bíblicos e religiosos é muito interessante, enriquecedor e por certo revigorará a massa cinzenta. Vamos a algumas curiosidades etimológicas bíblicas e religiosas (nem tudo o que é religioso é bíblico).

Comecemos com o nome do primeiro livro “Gênesis” (nascimento, criação, origem). O termo grego nos veio via latim, (o latim recebeu mais de 40% dos seus vocábulos do grego) e é formada da grega ge = Terra daí temos Geografia (descrição da superfície da Terra); geologia (estudo da origem e transformação da Terra) geometria (medida da Terra)… Dela também se formou o termo grego gene = mulher.

A Bíblia diz que Deus fez Adão da terra e de sua costela fez Eva, portanto a mulher é constituída de terra. A médica cuja especialidade são as doenças dos órgãos genitais da mulher é ginecologista (estudioso da mulher).

O termo genealogia = mulher+ geração, isto porque a mulher gera nova vida. Genial tem a mesma origem e se referia às noivas que gerariam os filhos, daí alegria, festivo. Já pensou no gênio? A raiz gene deu origem ao “Genius”, deus romano que gerava a criança, presidia o nascimento, daí o nome “Genitor”, um dos 12 deuses mais poderosos.

A Escritura diz que Deus é que forma a criança no ventre da mãe de forma estranhavelmente maravilhoso (Sl 139:13-16) Passou a significar Gênio poderoso e bondoso e também o Gênio do mal. No século 17 começa a dar ideia de pessoa com QI elevado, inteligente. Gente, é da mesma origem grega, via latim (gens-gentis). Os romanos assim se referiam aos estrangeiros de cultura inferior.

Os estrangeiros que desejassem ter status e respeito na sociedade, teria de comprar um título romano. Quando preso por pregar o cristianismo, S. Paulo defendeu-se dizendo ser cidadão romano, então o comandante disse que havia adquirido o título de cidadão romano por grande soma (Atos 22:24-29). De “gente” veio a palavra gentio, intitulando estrangeiros, bárbaros, inferiores.

Dessa mesma raiz recebemos o vocábulo gentil que designava uma “gente”, pessoa bem nascida, nobre, então passou a ser alguém bonito, bem vestido, e depois, bondoso, amável. Há outras palavras como generoso, genioso, e agora você sabe que o nome “Geni”, é “Mulher”, Eugênio, Bem Nascido e “Eugênia”, De Boa Origem. Esses termos originam-se de “ge” (terra) e “gene” (mulher).

A palavra mulher nos veio do latim “mulier” que significa mole, frágil, de barro, sensível. No hebraico, cuja língua é formada do significado bíblico, mulher é “havhah”, ou, “Ihssáh”, ou, “viveris”. “Havhah” (Eva = delicada, sensível, frágil, merece cuidados).

Adão disse: ela é osso dos meus ossos, carne de minha carne – Gn 1:23). Sensível, parece ter um sexto sentido, percebe o que o homem não consegue, chora mais fácil, é dócil. Alguns homens (covardes) aproveitam de sua fragilidade. “Ihssah” de “ish” (fogo, energia, que gera, produtiva; faz 3 ou 4 coisas simultâneas, nós homens só conseguimos fazer uma ou duas, vive um turbilhão de emoções simultâneas) e “enesh” (delicadeza).

A terceira palavra hebraica para mulher é “Viveris” (senhora, poderosa, dominante). É capaz de dominar seus sentimentos e emoções e ser submissa ao esposo. Escutem a música “Mulher” de Erasmo Carlos e leiam Colossenses 3:18-19. Deus abençoe o nosso lar.

ARTIGO escrito por Leondenis Vendramim, professor de Filosofia, Ética e História. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal. São de inteira responsabilidade de seus autores.

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