Leondenis Vendramim

Privilégio matrimonial

Como já explanamos, amor não é paixão. Paixão é um sentimento ardente, egocêntrico, inconsequente, que surge e desaparece assim que satisfeito.

O amor é um princípio de origem divina, racional, duradouro, que procura fazer o bem à pessoa amada. Jovens não se devem iludir com o rosto bonito sem avaliar o mais importante, o caráter do pretendido.

Geralmente, os incautos e imaturos percebem tarde demais que seu relacionamento era baseado na paixão, pois, como o fogo, apagou, só restaram cinzas, destroços, frustração e problemas a resolver.

Nossa geração está cada vez mais precoce. Os programas de TV banalizaram a prática do sexo, meninas apreciam demais a companhia masculina, vulgarizam-se com risadas e conversas íntimas, gastando o tempo no qual poderiam aprender e ajudar nas tarefas domésticas.

E isto traz, quase sempre, consequências indesejadas, dolorosas e imprevistas. Visitando uma paciente no hospital, vi uma menina e perguntei-lhe por que estava ali. Para meu espanto ela me disse que ia ganhar um bebê! Qual sua idade? E a resposta foi mais aterradora. “Onze anos!”.

Ficou grávida com dez anos! Ela não tinha estrutura física, nem mental e emocional, e sequer conhecimentos para cuidar e educar o filho. Isso é uma violência contra meninas causada muitas vezes pela permissividade dos pais.

O namoro deve ser um tempo de reflexão e análise mútua. A moça deve valorizar o seu corpo, pois o entregar-se facilmente causa dúvidas no rapaz, comentários desairosos. “Sede prudentes como a serpente” (Mt 10:16), aconselhou Jesus.

O sexo é uma bênção divina para a procriação e para completar a felicidade matrimonial, desde que com o consentimento de ambos, num relacionamento não abusivo, contudo muitos tem se excedido em suas paixões animais. É fundamental conscientizar e educar.

Muitas mulheres sofrem abusos sexuais do seu parceiro e isto legalmente é estupro penalizado pelo Código Civil Brasileiro. Proibir a esposa de usar algumas vestes, ir a alguns lugares ou que faça algo é relacionamento abusivo.

Caso ela vá além da moral, o diálogo deve resolver, ou a separação amigável será a solução. A agressividade e a violência moral ou física só agrava o problema para ambos e para as crianças.

Mesmo dentro de um casamento, fazer com que uma relação sexual aconteça por meio de ameaça ou violência, forçar o sexo enquanto a esposa está inconsciente, seja dormindo, ou sob efeito de remédios, qualquer forma de coerção sexual, seja ela física ou emocional, as práticas, como o sadomasoquismo e tudo que cause constrangimento à vítima, ou não seja plenamente consentida por ela, pode ser enquadrado e penalizado como estupro conjugal.

Os que tais atos praticam têm a mente deteriorada e estampam sua própria imagem e caráter nos seus filhos e devido ao seu animalismo e abominação seus corpos tornam-se enfermiços. O excesso sexual destrói o amor, enfraquece o cérebro e exaure o organismo todo.

A mulher não pode e não deve consentir na autodestruição do marido. Quanto mais condescender com as paixões animais, tanto mais fortes se tornarão elas, e mais violentos serão seus reclamos quanto à satisfação.

Em sua passiva submissão, ela perde o valor que outrora possuía aos olhos dele. Logo virá a suspeita sobre sua pureza, cansa-se dela e busca novos objetos onde intensificar suas paixões. Diz Ellen G. White (Lar Ad., 125).

Quando ela vê que a paixão animal o domina e a relação seria para dano do seu próprio corpo, ela não está obrigada à passiva submissão. O amor não avilta, mas procura manter a saúde e a integridade moral da esposa, não sacrifica sua consciência, antes a dignidade e a eleva.

Com sabedoria, paciência e amor a esposa deve levá-lo a zelosamente esforçar-se por governar suas paixões carnais, pois, fazendo assim, ela e seu companheiro poderão participar da natureza divina, livrando-se da corrupção que pela concupiscência há no mundo, como diz 2 S. Pedro 1:4.

Não esqueçamos, vivemos nos últimos dias nos quais os homens são amantes de si mesmos, corruptos (2 Tim. 4:1-5); comem, bebem, dão-se em casamentos (Mat. 24:38) com banalidade.

“Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula, pois aos devassos e adúlteros, Deus os julgará”. Heb. 13:4.

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